sexta-feira, 21 de março de 2014

Conheça alimentos de origem vegetal que são ricos em proteína

Optar por uma dieta vegetariana já não é dor de cabeça há algum tempo. Foi-se o tempo em que muita gente acreditava que a vida sem carne não é saudável. Com o consumo correto de diversos alimentos de origem vegetal, é possível e fácil substituir as proteínas da carne.


A nutricionista Alessandra Luglio, consultora da Hero Nutritionals, conta também que já existem suplementos de proteína totalmente naturais. “Encontramos disponível no Brasil e muito comumente nos Estados Unidos, suplementos proteicos de fontes vegetais que são muito versáteis e práticos”, conta. Por isso, se você sempre quis optar por uma dieta vegetariana, a hora é essa!


Montagem do prato


A primeira dificuldade na hora de substituir as carnes por vegetais está na montagem do prato. Para quem come carne, um bife já é fonte suficiente de proteína, por exemplo. No caso dos vegetarianos, é preciso um pouco mais de cuidado, segundo Alessandra. “No prato vegetariano a proteína normalmente não virá isolada e sim junto, principalmente, de carboidratos”, explica.


Exemplos de pratos vegetarianos


Prato 1: 1 xícara de chá de quinua cozida + 1 xícara de chá de grão de bico cozido + 1 xícara de chá de brócolis cozido = 25g de proteína no total do prato. Quantidade equivalente à 100g de peito de frango.


Prato 2: 1 xícara de chá de arroz integral + 1 xícara de chá de lentilhas + 1 xícara de chá de espinafre cozido = 28g de proteína. Quantidade equivalente à 110g de carne moída.


Déficit de aminoácidos

A segunda grande dificuldade na hora de seguir uma dieta vegetariana é entender os tipos de aminoácidos existentes nos diferentes tipos de proteína. De maneira geral, existem 20 tipos de aminoácidos. Nas carnes, eles estão presentes em sua totalidade. Já os vegetais, normalmente, não possuem todos os aminoácidos.


Para resolver esse problema, é preciso combinar os alimentos para chegar a uma refeição rica em aminoácidos. “Uma ótima dica é combinar algum cereal, a quinua, a aveia com uma leguminosa”, explica Alessadra.


Mas nessa regra também há exceções. Segundo Alessandra, tanto a quinua quanto o amaranto são ricos em proteínas e possuem os 20 tipos de aminoácidos em sua composição.


Tabela quantitativa de proteínas em vegetais


Leguminosas:


(1 xícara de chá de grãos crus)

Soja – 28 gramas de proteína

Soja verde (edamame) - 4.5 gramas de proteína

Lentilha - 18 gramas de proteína

Feijão – 5 gramas de proteína

Grão de bico - 14.5 gramas de proteína


Cereais: 


(1 xícara de chá de grãos crus) 

Quinua - 9 gramas de proteína

Amaranto -8.5 gramas de proteína

Aveia em flocos – 6 gramas de proteína


Derivados da soja:


(1 xícara de chá de grãos crus)


Tofu (1 xícara de chá) – 9 gramas de proteína

Leite de soja (1 xícara de chá) – 8.5 gramas de proteína

Proteína de soja texturizada  100g – 57,3  gramas de proteína


Castanhas e sementes:


Por 100g de alimento 

Gergelim – 21.2 gramas de proteína

Amêndoas – 18.6 gramas de proteína

Castanha de caju – 18.5 gramas de proteína

Chia – 15.6 gramas de proteína

Linhaça – 14.1 gramas de proteína


Vegetais e frutas:


(1 xícara de chá de alimento) 

Brócolis – 5 gramas de proteína

Espinafre - 5 gramas de proteína

Couve – 5 gramas de proteína

Ervilhas frescas cozidas -9 gramas de proteína

Batata doce cozida - 5 gramas de proteína









Imagem vaga sobre proteínas de verduras e folhas
 confunde VEG(etari)ANOS

Fontes de Proteina Vegetal

Precisa mesmo de carne?

Se você já foi vegetariano alguma vez na vida, muito provavelmente perguntavam-lhe "como consegues obter suficiente proteína?" Muita gente pensa que é necessário consumir produtos de origem animal para obter as proteínas necessárias. Na verdade, muitos vegetais estão cheios de proteína e se você incorporar 2- 3 fontes de proteína nas suas refeições provavelmente atinge os níveis proteicos adequado.

O exemplo dos culturistas

Precisa de provas de que os vegetarianos ou vegan não sofrem carências de proteína? Basta olhar para a crescente popularidade do veganismo entre os praticantes de culturismo! Quando se treina com pesos pesados, como os culturistas fazem, precisamos de muito mais proteínas do que as doses normalmente recomendadas. Se fosse difícil obter proteína a partir de uma dieta vegan, não veríamos tantos culturistas a falar sobre os seus benefícios.

Afinal que proteínas precisamos?

A quantidade de proteína que você precisa na sua alimentação depende muito do seu peso e actividade física. Os americanos, de um modo geral, comem muito mais proteína diariamente do que precisam. A dose recomendada de proteína é 0.8 gramas por quilograma de peso corporal. Assim, se pesar 60 kilos, precisa de mais ou menos de 48 gramas de proteína por dia.
Como já referimos, você apenas precisa de 2 fontes de proteína em cada refeição para ficar equilibrado, podendo até reduzir para uma única fonte se esta for suficientemente rica. O que é importante é não confundir esta ideia com a prática desnecessária de combinação de proteínas.

Combinação de proteínas

As proteínas contêm aminoácidos, que são necessários para uma boa saúde. Há nove aminoácidos que o nosso corpo precisa para funcionar, e a maioria dos produtos de origem animal contêm estes nove aminoácidos. Contudo, à maior parte das proteínas de origem vegetal falta-lhes um ou dois tipos de aminoácidos e vegetais diferentes faltam-lhes aminoácidos diferentes.
É verdade que é necessário comer uma certa variedade de proteínas para obter todos os aminoácidos que o organismo necessita mas não da forma que a maioria dos métodos de combinação de proteína sugere. Na verdade você não precisa de absorver todos os nove aminoácidos na mesma refeição, nem mesmo todos os dias. Se consumir a variedade das proteínas descritas a seguir, ficará fantástico. Talvez até se dedique à musculação!

25 fontes de proteínas vegetais

Existem imensas fontes de proteínas vegetais. Certifique-se que come fontes variadas ao longo da semana e não precisa mais de se preocupar em obter as proteínas suficientes.
Sabemos que nem toda a gente vai comer todos estes 25 alimentos. Esta lista é apenas para começar. Feijões, cereais integrais e até frutas contem proteínas. Se alguns dos seus alimentos preferidos não estiverem nesta lista, sugiro que consulte informação especializada (ex:USDA Nutrition Database) para verificar o valor proteico de cada alimento.


1. Tempeh(soja)41 grs. por chávena
2. Lentilhas18 grs. por chávena
3. Leite de soja11 grs por chávena
4. Edamame20 grs por chávena
5. Seitan19 grs. por cada 3 onças
6. Tofu20 grs. por ½ chávena
7. Ervilhas9 grs. por chávena
8. Arroz integral5 grs. por chávena
9. Arroz branco4 grs. por chávena
10. Bróculos cozidos4 grs. por chávena
11. Sementes de girassol6 grs. por ¼ chávena
12. Quinoa9 grs. por chávena
13. Espinafres cozidos5 grs. por chávena
14. Abacate4 grs. por chávena
15. Pão Integral7 grs. em 2 fatias
16. Feijão preto15 grs. por chávena
17. Caju5 grs por ¼ chávena
18. Semola cozida8 grs. por chávena
19. Sementes de linhaça4 grs por 2 colheres de sopa
20. Sementes de chia5 grs. por e colheres de sopa
21. Bulgar (trigo)5 grs. por chávena
22. Manteiga amendoim8 grs. por 2 colheres de sopa
23. Manteiga de girassol5 grs. por 2 colheres de sopa
24. Batata vermelha3 grs. por chávena
25. Cevada3 grs por chávena




domingo, 16 de março de 2014

Suplementos Sugeridos Para Veganos


B12
Os veganos apenas necessitam de tomar um suplemento de vitamina B12. No entanto, há alguns suplementos que podem ser bastante úteis para garantir uma nutrição adequada,particularmente para quem possa não fazer uma dieta tão planeada e diversificada quanto o ideal. Contudo, é importante não esquecer que, como o próprio nome indica, os suplementos não substituem uma dieta equilibrada, apenas servem para a complementar ou salvaguardar alguma eventual deficiência nutricional.

Suplementos Individuais vs. Suplementos Multivitamínicos

Os suplementos mais pertinentes para os veganos são:
  • B12
  • Ómega-3 DHA
  • Cálcio
  • Vitamina D (sob a forma de vitamina D2, pois a D3 é praticamente sempre de origem animal)
  • Iodo
  • Ferro
  • Zinco
Para quem não queira ter o trabalho de comprar suplementos individuais e analisar as quantidades adequadas de cada um, um suplemento multivitamínico é a opção mais simples e prática. Nesse caso, eis os suplementos sugeridos:
Contudo, comprar suplementos individuais é a opção que permite maior flexibilidade, ajustando-se os suplementos às necessidades da dieta de cada um. Por exemplo, se beberes dois copos grandes de leite de soja enriquecido com cálcio todos os dias, ficas praticamente garantido em termos de cálcio e não precisas de suplementos. De modo idêntico, se consumires muitos vegetais de folha verde escura e leguminosas, podes não precisar de nenhum suplemento de ferro (embora as mulheres não percam em tomar suplementos de ferro durante os dias de menstruação e os homens em tomar um suplemento uma vez por semana). Outra desvantagem dos suplementos multivitamínicos é que podem não ser tão bem absorvidos quanto os suplementos individuais, pois alguns nutrientes interferem com a absorção de outros.
A forma mais eficaz de tomar B12 é através de um suplemento individual sublingual, como o Methyl B-12 da Jarrow Formulas ou o Vegan Vitamin B-12 - Sublingual da Deva Nutrition. A vitamina D também é muito importante (não só para veganos, mas para todos) e a melhor forma de conseguir uma boa quantidade é com um suplemento individual de vitamina D, como o Vitamin D 1,000 IU Vegetarian Dry da Now ou o Vegan Vitamin D - 800 UI da Deva Nutrition.

Onde Comprar Suplementos Veganos

Tem em atenção que os suplementos não são todos iguais e que alguns suplementos de fraca qualidade são mal absorvidos, podendo até ser nocivos para a saúde. Sugerimos os suplementos da Deva Nutrition, pois são todos veganos e têm qualidade amplamente reconhecida. Podem encomendar-se a partir do Reino Unido por preços relativamente económicos na loja online da Green Valley Trading. Já relativamente ao suplemento de ómega-3, o mais económico é encomendar o Opti3 Omega-3 EPA DHA directamente no fabricante. Encontras também suplementos bastante económicos na BigVits, nomeadamente a vitamina B12 da Jarrow Formulas e a vitamina D2 da Now.
Em alternativa, se não souberes inglês ou não quiseres encomendar a partir do estrangeiro, podes optar por comprar suplementos da Veganicity, que são todos veganos e se vendem online na loja do Centro Vegetariano. Também podes encontrar suplementos da marca Solgar à venda em lojas de produtos naturais/dietéticos (certifica-te de que a embalagem tem a inscrição frontal “Suitable for Vegans”).
Nota: os suplementos de ómega-3 DHA são os mais dispendiosos, porque a produção de DHA a partir de algas é um processo relativamente recente e ainda não é efectuado em grande escala. Sobretudo no caso de não tomares um suplemento de DHA, deves certificar-te de que tomas ómega-3 ALA cru diariamente (consulta a página sobre alimentos ricos em ALA).


sábado, 15 de março de 2014

CHICÓRIA

chicória é uma planta herbácea, perene, pertencente à família Asteraceae, da qual estão inclusas milhares de espécies entre elas as alfaces, os girassóis  e as margaridas. De origem Européia e atualmente cultivadas em várias regiões tropicais, subtropicais e temperadas do mundo, a chicória destaca-se por ser uma hortaliça muito nutritiva e cheia de propriedades medicinais.
Chicória
Chicória
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Asterales
Família: Asteraceae
Gênero: Cichorium
Espécie: C. intybus
A parte consumida da chicória são as suas folhas, que possuem como características formato lanceolado, possuem coloração esverdeada, com aproximadamente 30 centímetros de comprimento e 6 centímetros de largura. Elas podem ser lisas ou ter algumas nervuras e, possuem um sabor característico levemente amargo. Seus talos são pubescentes e as flores são encontradas na coloração azulada, reunidas em uma inflorescência do tipo capítulo. O fruto  é do tipo aquênio (seco e indeiscente) e suas raízes são tuberosas, pivotantes e muito utilizadas quando torradas, na produção de um substituto de café, principalmente na Europa.
Para que se desenvolvam bem as chicórias necessitam de um solo bem drenado e enriquecido com matéria orgânica, e apreciam o clima ameno, com temperaturas na faixa de 14 a 16 graus Celsius. Quando expostas a altas temperaturas as chicórias tendem a ficar com o sabor mais amargo. Os principais produtores de chicória são a Itália, a Espanha, a França, os Estados Unidos e a Holanda.
As folhas de chicória são muito apreciadas na culinária de diferentes culturas. Elas estão presentes em saladas diversas e como um ingrediente para o preparo de sopas, molhos, purês, tortas e várias outras receitas. Quando cozidas, o sabor amargo tende a diminuir. Por conter baixíssimas calorias (100 gramas oferecem cerca de 20 kcal), as chicórias estão presentes em muitas dietas de emagrecimento. Além disto, as folhas de chicória são bastante nutritivas. Elas contêm vitamina A, vitaminas do complexo B, vitamina C, D e também alguns minerais como cálcio, ferro e fósforo.

As folhas de chicória também são comummente utilizadas para fins medicinais. Elas possuem ação depurativa, diurética, estomáquica e laxativa. Já as raízes possuem uma substância denominada inulina (um polissacarídeo semelhante ao amido), que não é digerida por enzimas no intestino humano e é um alimento de fibra solúvel (prebiótico), o que significa que este nutriente serve de alimento para as bactérias boas presentes nos intestinos. Assim, a inulina contribui para o bom funcionamento do intestino prevenindo diversas doenças.
Na fitoterapia, são atribuídas à chicória as seguintes propriedades: limpeza do fígado, estimulação do baço, correção de problemas de visão em geral, fortalecimento dos ossos, dentes e cabelos, e ativação das funções do estômago e dos intestinos. Também ativaria a função biliar, quando a secreção da bile se mostrasse escassa, e atuaria como laxante.

Deve ser consumida de preferência crua, em saladas ou em sucos, juntamente com cenoura, aipo e salsa, para melhor aproveitamento de seu valor nutritivo.

Fontes:
http://www.cnph.embrapa.br/paginas/dicas_ao_consumidor/chicoria.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Chicória
http://www.jardineiro.net/br/banco/cichorium_endivia.php
http://emedix.uol.com.br/fit/chicoria.php

quinta-feira, 13 de março de 2014

A URTIGA, essa maravilhosa mal-amada


História:
Originária da Europa e da Ásia, a urtiga foi talvez das plantas que mais cedo começaram a ser utilizadas pelo Homem, pois desde a idade do bronze (4000-3000 a.C.) que se empregaram as fibras de urtiga no fabrico de vestuário; mais tarde igualmente no de papel.
Dizem que os soldados romanos, estacionados nas regiões setentrionais, cultivavam aí a urtiga, para depois se esfregarem com ela, a fim de suportarem melhor o frio. Aliás, o nome botânico da planta vem do latim urere, que significa "queimar" e tem a ver com o seu carácter urticante. Ainda na Roma antiga, o escritor Plínio o Jovem, que viveu no primeiro século da nossa era, dizia-se um grande apreciador de urtigas, e comia-as cozinhadas como se fossem espinafres
Mais tarde, o cultivo da planta foi continuado em países como a Noruega, a Dinamarca e a Escócia, que com ela fabricavam fatos grosseiros para os marinheiros e também redes de pesca. Mesmo depois do linho ter começado a ser mais apreciado, o fabrico de fibras de urtiga continuou até ao século XIX, especialmente na Escócia. Segundo as próprias palavras do poeta escossês Thomas Campbell - que viveu nos fins do século XVIII, princípios do XIX: "na Escócia, comi urtigas, dormi em lençóis de urtigas, e jantei sobre uma toalha de urtigas. Quando ainda é nova e tenra, a urtiga é um legume excelente... e lembro-me que a minha mãe dizia que, na sua opinião, os fatos de urtiga eram bastante mais resistentes do que os de linho". Também o escritor dinamarquês Christian Andersen, que viveu no século XIX, refere no seu conto "A princesa e os sete cisnes" que são feitos de urtiga os mantos que a princesa tece para libertar os irmãos do feitiço da madrasta.
O uso da urtiga na indústria téxtil durou ainda até ao século XX. Durante a Primeira Grande Guerra, os uniformes dos soldados alemães eram feitos de fibras de urtiga.

Nome científico e família:
A urtiga comum, nome científico urtica dioica (aquela de que falo aqui), pertence a uma família diferente da urtiga branca, cujo nome científico é lamium album. Não se devem confundir, embora o aspecto seja semelhante, mas a urtiga branca não “pica”, isto é, não tem características urticantes. As flores da urtiga branca são igualmente bastante diferentes das da urtiga comum. Contudo, estas duas plantas têm algumas propriedades em comum: ambas são benéficas em casos de reumatismo e gota (especialmente a urtiga branca) e obstipação; uso externo em casos de contusões e queimaduras. As sumidades floridas de ambas as plantas são ricas em taninos e mucilagens.

Cultivo:
A urtiga prefere os terrenos húmidos, frescos, não muito expostos ao sol em chapa. Encontra-se por toda a parte, sobretudo nos terrenos incultos, nos bosques, nos atalhos dos campos. Planta vivaz e muito rústica (resiste até 45 graus negativos!), mal se lhe toca liberta uma substância urticante, que está na origem do seu nome. A urtiga multiplica-se por semente, divisão dos pés, ou por estaca. A distância entre as plantas deve ser de 30-60 cm.

As virtudes das urtigas:
A urtiga é riquíssima em vitaminas, sobretudo as do grupo B, também vitaminas C e K, betacaroteno, minerais como o magnésio e o ferro, oligo-elementos, aminoácidos e proteínas, cálcio, sais e fosfatos. É maravilhosa para combater a queda do cabelo e a fragilidade das unhas, devido à presença de ferro, de silício e das vitaminas B2 e B5, pelo que tem um excelente poder de remineralização. Como é rica em vitamina C, indispensável para uma boa absorção do ferro, torna-se um forte inimigo da anemia e dos problemas circulatórios, sendo recomendada para um bom equilíbrio feminino aquando da menopausa.
Verificou-se ainda que a planta estimula a secreção láctea, reduz o teor de ácido úrico e tem um papel eficaz no alívio das artroses, crises de gota e artrites, bem como outras manifestações reumáticas. As cataplasmas de folhas de urtiga têm grande efeito sobre os eczemas e outras doenças da pele.
A urtiga tem ainda propriedades depurativas do sangue, fazendo baixar o teor de glucose no sangue e estimulando a irrigação sanguínea de todas as partes do corpo. É uma planta indispensável ao metabolismo e à saúde do sistema vegetativo. Combate também o entorpecimento dos membros.

Utilizações práticas das urtigas:
Sendo a Escócia um dos países onde a urtiga foi, desde sempre, muito apreciada e cultivada, não é para admirar que um dos seus pratos tradicionais seja à base de urtigas, a que se junta alho francês, brócolos e arroz. Também na Rússia se emprega a urtiga para confeccionar o conhecido "chtchi".

Segundo parece, ainda hoje em dia os aborígenas da Austrália utilizam um unguento à base de urtigas para friccionar os entorses, e com as folhas fervidas fazem cataplasmas. Na Ucrânia, as urtigas servem para pintar de verde os ovos da Páscoa.

Para quem goste de jardinagem, esta planta - à primeira vista "indesejável" - é um maravilhoso auxiliar, especialmente na cultura biológica. Efectivamente, com uma decocção à base de urtiga podemos desembaraçar as outras plantas de doenças como o míldio, e também de parasitas como o piolho. A urtiga é também óptima para activar a decomposição do estrume orgânico, e alguns cientistas afirmam que o teor de óleos essenciais das plantas cultivadas na proximidade de urtigas é superior ao normal.
A urtiga é igualmente cultivada para a extracção da clorofila e como forragem para o gado bovino, para as aves e para os coelhos. Uma dica que aprendi recentemente de uma leitora é que a avó dela misturava urtigas aos farelos que dava às galinhas, para elas porem mais ovos. E resulta!

Conforme o fim a que se destina, da urtiga utilizam-se as extremidades novas e tenras (sobretudo em Abril), a planta inteira (de Maio a Setembro) e a raíz (de Agosto a Outubro). O corte das plantas deve ser efectuado durante as horas de menos calor e sem sol directo. Seguem-se algumas receitas, quer culinárias ou outras, em que é usada a planta. Para eliminar o efeito urticante da planta, mergulhe-a em água a ferver. Mas se se picar antes de fazer isso, siga a dica que dou no fim do artigo.


Sopa de urtigas
500 g de folhas de urtiga (frescas e novas), 1 cebola, 2 batatas médias, 1 raminho de tomilho, sal e azeite q.b., cubos de pão torrado (facultativo)

Apanhe as urtigas, lave-as e retire as folhas, que deve picar grosseiramente. Entretanto, refogue em azeite, numa panela, a cebola cortada às rodelas e, quando estiver loira, adicione as batatas cortadas aos bocados, um litro de água e o raminho de tomilho. Tempere com sal e deixe cozer até as batatas estarem boas para reduzir a puré com a varinha mágica. Depois, junte as urtigas e deixe cozer mais um pouco (cerca de 10 minutos). Sirva com cubos de pão torrado.


Decocção depurativa
30 g de rebentos primaveris (sem as sementes) por cada litro de água

Ferva as urtigas na água até que o líquido fique reduzido a cerca de um terço do seu volume inicial. Beba duas a três chávenas por dia.
Observação: Esta decocção é um depurativo precioso para a pele e o sangue, mas é conveniente nunca ultrapassar as três chávenas por dia; em maiores quantidades pode provocar retenção de urina. Igualmente se devem retirar cuidadosamente as sementes, pois as mesmas são altamente purgativas.

Shampô anti-caspa
300 g de urtigas (planta inteira), água, champô neutro líquido (para bebés), algumas gotas de essência de bergamota

Ferva durante uns 2-3 minutos 100 g de urtigas num litro de água. Deixe repousar meia hora e depois filtre. Junte mais 100 g de urtigas e ferva de novo durante cerca de 2-3 minutos. Deixe repousar meia hora e filtre. Junte as restantes urtigas e ferva de novo durante 2-3 minutos. Deixe repousar mais meia hora e depois filtre. Adicione então ao líquido obtido um volume igual de champô neutro para bebé, junte algumas gotas de bergamota e deite num frasco, agitando para misturar. Utilize como qualquer outro champô. Será um anti-caspa excelente, que evitará também a queda do cabelo.

Relatos na 1ª pessoa: 
Por volta dos 50 anos comecei a beber infusões de urtiga. Devo prevenir que é uma bebida muito sem gosto, mas bebi-a como se fosse outro remédio. Depois acostumei-me e há já muito que não me afecta o seu gosto sensaborão. O meu pequeno "sacrifício" valeu a pena, pois apesar de descender de uma família em que as descalcificações e osteoporoses são hereditárias, o meu médico dizia-me, por volta dos meus sessenta anos, que eu tinha um esqueleto "mais sólido do que muitas mulheres de quarenta anos". Verifiquei igualmente uma melhoria sensível quanto aos meus cabelos, que têm aspecto mais saudável agora do que quando eu era jovem, por muito estranho que isso possa parecer, mas cujas fotografias da época podem comprovar.

Picou-se com urtiga? Siga estas dicas:
Um dos remédios caseiros que lhe posso aconselhar é sumo de limão a espalhar sobre a parte atingida. O azeite e a cebola também podem ajudar e, às vezes, até basta mesmo espalhar a nossa própria saliva várias vezes ao dia sobre a parte afectada. A levedura ou fermento em pó (que se usa nos bolos) resulta também. Se não passar, então terá de perguntar na farmácia que creme usar.
Eu estou tão habituada a apanhar as urtigas sem luvas (mas com cuidado), que não me preocupo quando elas me picam. Por outro lado, como leu acima, a flagelação com urtigas é um remédio que já nos vem dos Romanos para suportarem melhor o frio e se precaverem contra o reumatismo.

P.S. Um leitor comentou que, quando uma pessoa se pica, não tem de temer nada para além da comichão, reacção que é benéfica para as articulações. Esse leitor ignora que há pessoas que podem ter verdadeira alergia à urtiga, e para essas pessoas é que são recomendadas as dicas que mencionei.

fonte









quarta-feira, 12 de março de 2014

A verdade sobre os alimentos biológicos


São melhores para a saúde? Porque custam mais caro? Têm, mesmo, melhor sabor? Quem os controla? Até que ponto se revelam amigos do Ambiente? E quanto vale já este mercado, que cresce exponencialmente em Portugal? Dossiê completo, com as respostas essenciais que precisa de conhecer

Hora do almoço, na mais recente padaria biológica de Lisboa. Quinoa fica na Rua do Alecrim, descendo do Chiado para o Cais do Sodré. Passando uma porta de vidro, sentese o cheiro a pão, nota-se que as mesas pretas estão todas ocupadas. Ouve-se, por entre os acordes de jazz que saem das colunas, falar inglês. Avança um grupo de engravatados, logo seguido de uma mão-cheia de jovens fashion. Na ementa, diversas sandes e tostas, de pão biológico, está claro. A sala seduz há, ali, uma harmonia entre a traça antiga e a decoração que obedece às linhas limpas da modernidade.

Com a agricultura biológica acontece o mesmo. Inspira-se na forma tradicional de cultivo, recorrendo a novas tecnologias e a conhecimentos agronómicos revolucionários.

A procura de produtos saídos desta equação aumenta exponencialmente, atraindo uma mancha cada vez mais diversificada da população, como se pode observar naquela padaria, quase restaurante. Para fazer face à situação, tem-se verificado, nos últimos anos, em Portugal, o crescimento acelerado da produção em modo biológico, à imagem de Espanha e da Grécia. Atualmente, 6,3% da área cultivada, no nosso país, não leva químicos uma percentagem acima da média europeia, que se fica pelos 4,2 por cento. "Uma parte importante desta dinâmica de desenvolvimento deve-se aos apoios dados a este tipo de cultivo, através da Política Agrícola Comum da União Europeia [UE]", lê-se num relatório da Comissão, de fevereiro do ano passado, dedicado à análise do setor.

Em 1993, Portugal apresentava uns meros 3 mil hectares de área de cultivo biológico. Em 2007 (últimos dados disponíveis), já eram trabalhados mais de 233 mil hectares, segundo dados da UE. Números que ficam a milhas de Itália, a recordista, que, naquele ano, somou mais de um milhão de hectares limpos de pesticidas. O nosso crescimento avalia-se ainda pelo salto de 73 agricultores, em 1993, para praticamente 2 mil. Em quatro anos (2004-2008), quase duplicou o número de produtores de animais, passando de 446 para 792.

28%
Valor em que, na Europa do Norte, a agricultura biológica se superioriza, em relação à produção convencional, na retenção de carbono no solo. Em todos os outros países do Velho Continente, recentemente analisados pela britânica Soil Association, a percentagem comparativa é de 20% no mesmo sentido 

LOJAS COMO COGUMELOS
Até 2006, só existia um supermercado especializado, na área de Lisboa, junto do aeroporto de Figo Maduro, para satisfazer os consumidores. Mas a Biocoop, a cooperativa que o inaugurou, em 1993, sempre se destinou apenas a sócios. Desde esse ano, e indo atrás da onda da procura, tem aberto mais de uma grande loja por ano, só na capital. O Brio de Carnaxide, em Oeiras ( já existe outro em Campo de Ourique, Lisboa), foi o último a estrear-se, em novembro passado. Com o apoio do The Edge Group, de cujo capital Paes de Amaral detém 50%, estão prometidas mais três inaugurações na zona de Lisboa. A próxima está para breve, na Lx Factory. A grande loja recém-inaugurada, com 400 metros quadrados, tem amostragem diferenciada e, embora apresente uma extensa variedade de produtos (mais de 6 mil), tenha cartão-cliente e entregas ao domicílio, não cheira a supermercado. Leem-se frases sobre os benefícios da agricultura biológica nas paredes, há frutos secos a pedirem para serem provados, frutas abertas para não enganarem ninguém, e um ambiente tranquilo. Também é possível tomar uma refeição ligeira, constituída por sopa, sandes (de pão ali fabricado), salgados e doces. Outro lugar para satisfazer quem anseia por refeições isentas de químicos, à hora do almoço.
Portugal não dispõe de dados sobre os consumidores destes produtos, mas Jaime Ferreira, presidente da Associação Portuguesa de Agricultura Biológica (Agrobio), sente-se à vontade para afirmar que a procura já é maior do que a oferta, sobretudo no que toca a fruta e legumes. As pastagens e o olival ocupam as nossas maiores áreas de produção. Apesar de todos os avanços, ainda se registam 50% de importações, muitas delas de França, Alemanha ou Reino Unido, os três maiores mercados da UE. Consultando os seus 5 300 associados, Jaime Ferreira consegue dizer que as vendas já terão atingido 10 milhões de euros. Uma migalha nos mais de 120 países onde existe este tipo de fabrico alimentar, o mercado da agricultura biológica movimenta cerca de 33 milhões de euros, com mais de 35 milhões de hectares cultivados em todo o mundo, por 1,4 milhões de produtores.

7,7
milhões Hectares de produção biológica na Europa dos 27, representando, apenas, 4,2% do total da área agrícola. Em 2007, estimava-se que houvesse 187 mil explorações 

UM SUCESSO CHAMADO MIOSÓTIS
Graça Castanheira, 48 anos, documentarista, acaba de encher a bagageira do seu carro com alimentos biológicos. Saiu carregada de um dos supermercados Miosótis, que fica junto da Gulbenkian, em Lisboa. Eis uma cliente habitual, daquelas que Ângelo Rocha, o proprietário, trata por tu. "Há 20 anos que consumo apenas estes produtos. No início, não era fácil, só encontrava vegetais", conta a cineasta. Para ela, macrobiótica, trata-se de uma prioridade, já que considera que "na industrialização se utilizam químicos, derivados do petróleo, muitíssimo prejudiciais ao organismo. Sei que a minha qualidade de vida está muito melhor, desde que fiz esta opção". O preço não a incomoda: "Um pacote de tiras de milho pode custar três vezes mais do que um de batatas fritas, mas eu como um terço. Sou disciplinada em relação à comida." E previne-se, poupando nas contas do médico. Aproveita, habitualmente, a hora do almoço para as compras, duas vezes por semana. Quando as despacha, sentase à mesa da cafetaria e prova a sopa, naquele dia de ervilhas, a que, normalmente, soma uma sande, rematando com uma fatia de tarte ("Está ótima", exclama).

Ali ao lado, no supermercado, continua o entra-e-sai. Mais mulheres do que homens, comprovando que são elas quem decide o que pôr na mesa lá de casa. Ângelo nem parece estar a trabalhar. Fala do tema com a paixão de um pioneiro que anda nisto há 25 anos. Durante uma década foi produtor, num terreno perto de Sintra. Primeiro, transacionava com as grandes superfícies, depois passou à venda direta, informal. Também teve uma banca, nas feiras de Carcavelos e de Cascais. Isso antes de fundar, com outros sócios, a Biocoop, e de estar na génese das associações Agrobio e Interbio. Há três anos, abriu a primeira loja Miosótis, na Óscar Monteiro Torres, ao Campo Pequeno, em Lisboa. "Ao fim de um ano, já tínhamos superado as expectativas. E como lá não havia armazém, nem zona de descargas, decidimos abrir outro supermercado, com talho e cafetaria." Hoje, passam pelos dois lugares cerca de 650 pessoas por dia.

11%
Percentagem de redução das emissões de gases com efeito de estufa, se ocorresse uma significativa mudança mundial para a agricultura biológica


COMIDA EXÓTICA
Há um ano, Kattia Hernandez, mexicana residente em Portugal desde 2003, descobriu o mundo biológico. A cada dia que passa, abre mais o leque das suas compras. Começou pela comida do México, agora rende-se ao requeijão, ao tomate, à abóbora, aos iogurtes, à carne, às bananas. "Noto diferença no sabor. Os alimentos são muito mais frescos." Pedro Lopes, 41 anos, comercial e instrutor de tai chi, partilha da mesma opinião, enquanto vai enchendo o seu cesto de iguarias: "As frutas são mais pequenas e feiinhas, mas o sabor é genuíno." Pedro atravessa a cidade, uma vez por semana, para se abastecer na Miosótis, pois o seu consumo alimentar atinge os 90% de biológicos. A variedade de produtos originais funciona também como um chamariz. Nos escaparates deste supermercado e de outros do mesmo género encontram-se vários tipos de tomate, por exemplo, rebentos de beterraba ou couve roxa, pastinacas, couve romanesca, quinoa, bulgur. "A agricultura biológica fomenta a diversidade de culturas", assegura Ângelo Rocha. Nem por isso se destina simplesmente aos que optam por este específico regime alimentar ou serve apenas um nicho da população. Essa ideia errada nasceu nas grandes superfícies, locais onde estes alimentos são mais caros, como lembra o vice-presidente da Interbio: "Vendia-lhes as alfaces a 250 escudos e via-as depois a 750 o quilo, criando a sensação de que estes produtos eram um luxo. Ainda hoje fazem isso, apesar de os preços estarem muito mais acessíveis, com exceção das importações."

Paga-se mais 30%, mas compra-se um produto que passa por um apertado controlo de certificação, em que os consumidores podem confiar. No caso da agricultura convencional, ninguém fiscaliza a utilização de pesticidas. A lei existe, mas será sempre cumprida?

25%
Média anual de crescimento da produção biológica, na Europa, entre 1990 e 2000

EM BUSCA DO CORPO 'LIMPO'

Paga-se bem por alimentos que podem ter mais 20% de matéria seca e que, por isso, são superiores em nutrientes. Pelo menos quanto aos citrinos, Amílcar Duarte, 48 anos, agrónomo da Universidade do Algarve, já tem certezas absolutas: "Na agricultura biológica existe maior percentagem de polpa e menor de casca. O azoto utilizado no modo comum de cultivo faz com que a casca se torne mais espessa e a percentagem de sumo diminua. A quantidade de vitamina C também é superior, quando não se utilizam químicos."

A nutricionista Paula Ravasco, 34 anos, investigadora do Instituto de Medicina Molecular, não encontra publicações que evidenciem o impacto dos biológicos na saúde de quem os consome com regularidade. "A proteção das células conseguese com qualquer alimento, desde que se respeitem as quantidades preconizadas na pirâmide", diz. Quanto ao conteúdo nutricional, "não está demonstrado qualquer benefício". No entanto, defende que "se uma pessoa tiver possibilidade de escolher, estes produtos poderão apresentar um sabor diferente por não levarem adição de químicos". A nutricionista acrescenta que os alimentos convencionais crescem com demasiada rapidez, à custa do azoto nas águas da cultura. Como consequência direta, têm, na sua matéria, muito mais líquido e, por isso, a quantidade que se ingere é maior para atingir o mesmo nível de saciedade. "Os produtos biológicos são mais concentrados, estimulando os recetores do paladar e fazendo com que se coma menos volume de determinado alimento", explica Paula Ravasco.

A médica Cristina Sales defende, com veemência, as vantagens para a saúde dos produtos biológicos. E, ao contrário de Paula Ravasco, já encontrou estudos que comprovam a sua opinião. Um deles, publicado no jornal Agronomy for a Sustainable Development, assegura que os produtos biológicos apresentam níveis superiores de vitaminas, ácidos gordos omega3, fenóis, polifenóis e resveratrol, e mais minerais como o cálcio, o magnésio e o ferro. "Comer biológico será sempre melhor, porque, à partida, tem 0% de substâncias tóxicas. Nos últimos 50 anos, apareceram milhares de agrotóxicos, químicos e corantes com os quais o nosso organismo não sabe lidar, acabando por arrumá-los, sobretudo, nas células gordas. O efeito que estas substâncias ali arrumadas podem ter é imprevisível", afirmou a especialista em Medicina Funcional Integrativa, à margem do 3.º Congresso Nacional de Agricultura Biológica, que decorreu, recentemente, em Braga.

€33 
mil milhões Valor atualmente movimentado pela agricultura biológica, em mais de 120 países

LADO A LADO COM O PRODUTOR
Está uma manhã de sábado gélida. Nem por isso os consumidores habituais do mercado de Algés, nos arredores de Lisboa, a funcionar há menos de um ano, ficam em casa. Munidos de grossos casacos, luvas, cachecóis e sacos de compras, andam para a frente e para trás, analisando os produtos e os preços, nas diferentes bancas. Alguns clientes são tratados com deferência, porque esse é o espírito. Corta-se uma maçã com canivete e dá-se a provar, fala-se dos benefícios de alguns alimentos, há cumplicidade no ar.

Maria Isabel, 67 anos, tem o saco cheio de beringelas, batatas, castanhas, batatas-doces e uma alface. Contas feitas, gastou 15 euros. A quantidade que leva dá-lhe para toda a semana e até para presentear a irmã, que, desta vez, não a acompanhou nas compras matinais. "Pode ser mais caro, mas a qualidade é outra. Os produtos são naturais e não engordados à força. Não percebo como as pessoas continuam a comer tanta porcaria.", justifica-se. Antes de terminar o seu passeio, ainda compra alhos, cebolas, quivis e maçãs. Soma mais dois euros ao gasto inicial. Os mercados de rua têm crescido a um bom ritmo, em todo o País. Depois do sucesso alcançado no Príncipe Real, no centro de Lisboa, agora espalham-se por Matosinhos, Aveiro, Oeiras, Cascais e Algés. E a Agrobio, que organiza esses espaços de venda direta, anuncia outro, para breve, no Largo de Santos, em Lisboa. "Trata-se de uma valia para a cidade, pois provoca dinâmica. Além de ajudar a promover o modo de produção biológica e ser mais um ponto de escoamento para os agricultores", explica o presidente, Jaime Ferreira.

9,5%
Aumento do número de produtores biológicos, entre 2007 e 2008, na União Europeia, acompanhado de um acréscimo de 7,4% da área agrícola

Joaquim Vicente, 69 anos, e Maria Beatriz, 64, saíram de Santarém às cinco e meia da manhã. Três horas depois, já tinham a banca montada no mercado de Algés e estavam a atender o primeiro freguês. Conhecem a maioria dos que ali param. Trocam dois dedos de conversa, mostram os seus produtos, fazem as contas num caderno quadriculado, pesam as compras numa balança à moda antiga, que convive com uma grande calculadora e um telemóvel. Em cada semana, levam de volta uma média de 250 euros. "Produzimos menos porque não usamos fertilizantes, mas compensa. Eu e a minha mulher tínhamos muitos problemas alérgicos e com este tipo de alimentação melhorámos em 80 por cento", revela Joaquim.

1 600
Número de produtores biológicos em Portugal, em 2005, quando, em 1993, não chegavam aos cem. Os hectares cultivados, por consequência, passaram de uma cifra insignificante para perto de 25 mil

HORTAS URBANAS
"Sabe-se hoje que um grande número de pesticidas está associado a doenças do sistema nervoso, alergias, alterações no balanço hormonal, diminuição da fertilidade, enfraquecimento do sistema imunitário e incidência de diversos tipos de cancro." É Jaime Ferreira quem o escreve num artigo, baseando-se na British Medical Association. Este panorama piora quando se pensa nos resíduos múltiplos, ao ingerirmos vários produtos de fabrico convencional.

Optar por um consumo biológico é fugir deste cenário, mas também pensar no ambiente. Este modo de produção agrícola diminui entre 48% e 60% as emissões de CO2, especialmente pela não utilização de pesticidas. Metade da energia gasta na agricultura relaciona-se com a produção industrial e o transporte de adubos de síntese.

Ao mesmo tempo, os biológicos combatem a monocultura, promovendo rotações no terreno, o uso de adubos verdes e a luta natural contra pragas e doenças. Com este tipo de atitude fomenta-se o equilíbrio da Terra e defende-se a biodiversidade.

São estes os princípios pregados nos cursos de formação dos agricultores urbanos que têm surgido nos arredores das grandes cidades. José do Rego, 70 anos, mexe-se no meio do seu talhão, com algum à-vontade. Ele e mais quatro vizinhos partilham uma horta comunitária, no Alto do Gaio, em Cascais. O tipógrafo encontrou neste hóbi, proporcionado pelo Gabinete Agenda XXI da autarquia, o passatempo ideal para queimar as horas da reforma. Mas, entretanto, sabe-a toda. "Ensinaram-me a fazer um produto para afastar as lagartas, usando um quilo de urtigas para dez litros de água, e pulverizando-o durante três dias para cima das minhas couves." Explica ainda que as ervas de cheiro, como os coentros ou o alecrim, afastam as pragas, e as borras de café assustam os gatos.
Alguns destes novos agricultores tinham noções de cultivo, mas estavam a zero, no que respeita aos truques do modo biológico. Hoje tratam a compostagem por tu e nem precisam de cábulas para combinar as sementes que devem viver lado a lado. O consumo dos produtos que tiram da terra funciona como uma ajuda ao orçamento familiar, promovelhes uma atitude mais saudável e, com as sobras, ainda fazem oferendas. Todos reconhecem o sabor legítimo dos alimentos que eles próprios retiram das hortas. Na Área Metropolitana do Porto, a empresa Lipor criou o projeto Horta à Porta e já atribuiu 429 talhões, formação adequada, um compostor para cada agricultor, um abrigo de ferramentas e água disponível para a rega. Neste momento, têm quase 1 400 pessoas em lista de espera.
Em Loures, a iniciativa vai mais longe, como explica Emília Figueiredo, 38 anos, vereadora do Desenvolvimento Socio-Económico. Diz que a Câmara decidiu apostar em "dinamizar localmente a economia e os mercados agrícolas, encontrando, na agricultura biológica e nas suas vantagens ambientais e sociais, uma importante ferramenta para o ordenamento e sustentabilidade do território". A autarquia assinou um protocolo com a Agrobio, para ações de formação e divulgação junto da população, lançamento de hortas comunitárias e empresariais, organização de um mercado de rua e introdução de alimentação biológica nas escolas.

15%
Estimativa máxima do crescimento anual do mercado de agricultura biológica

POLÍTICA NACIONAL, PRECISA-SE

O Poder Local está sensibilizado para esta alternativa à produção intensiva. E o Central? Cristina Hagatong e Eduardo Diniz falam pelo Gabinete de Planeamento e Políticas do Ministério da Agricultura. Defendem-se dos que criticam a falta de um plano estratégico para o setor. "Esse plano, onde definíamos metas, existiu até 2008. Hoje, estamos mais vocacionados para os apoios e parcerias." Garantem que nunca foi reprovada nenhuma das candidaturas ao PRODER, consideradas prioritárias e com níveis de apoio majorado. E reconhecem que o perfil dos candidatos está a mudar: os agrónomos biológicos são mais jovens e com melhores habilitações, e mostram-se dispostos a aceitar os desafios deste modo de produção.

Alfredo Cunhal Sendim, 43 anos, da Herdade do Freixo do Meio, em Montemor-o-Novo, encaixa na perfeição no retrato. Talvez por isso integre o grupo de peritos que o ministro António Serrano criou para acompanhar a reforma da política agrícola. É o único representante da área biológica. "O mercado só crescerá se o Estado assumir isso como uma estratégia nacional. Sabemos que este modo de produção apenas existe porque a União Europeia percebeu como era importante investir nele." Para estimular o Poder Central, elaborou um esboço de plano nacional, a ser entregue ao ministro, com contribuições de todo o setor, onde expõe as principais reivindicações de quem se dedica ao biológico. "O mais importante é criar consciência no consumidor ele tem de perceber que se trata de uma teia de problemas e não apenas de comer saudável e saboroso", indica Alfredo Sendim, que converteu a sua herdade há 12 anos "de uma forma pouca digna e passando por muitas dificuldades".

Apesar de se encontrar um pouco a leste dos problemas causados pela intensificação da agricultura convencional, o consumidor português, aos poucos, está a inclinar-se para os alimentos sem químicos. As razões que a socióloga Mónica Truninger, 38 anos que dedicou a sua tese de doutoramento à agricultura biológica e editou-a no livro O Campo Vem à Cidade, descobriu para tal mudança variam entre os sustos relacionados com a segurança alimentar, conseguir saúde do ponto de vista nutricional, procurar um sabor mais apurado, preocupação com o bem-estar animal e as vantagens ambientais. "As pessoas interessam-se, essencialmente, por consumir fruta e legumes, sobretudo os que se comem crus e os que nascem mais próximo da terra, como as alfaces ou os morangos", expõe a investigadora. O fenómeno é ainda urbano, embora com tendência para se disseminar, e quase um exclusivo da classe média/alta e da faixa etária dos 25 aos 49 anos. Por vezes, o empurrão dá-se com o nascimento do primeiro filho atualmente, já existem pediatras que aconselham uma alimentação infantil totalmente livre de pesticidas.

Quase tudo o que entra em casa de Sanda Pagaimo, 38 anos, engenheira informática, natural da Bósnia, dois filhos pequenos, tem selo biológico. E, de facto, ela enquadra-se na descrição sociológica de Mónica Truninger. Para o switch off pesou "o sabor dos alimentos e a questão ecológica". E quanto ao aumento da despesa 10% ou 20% é compensado pelo tempo que os produtos aguentam frescos, sem se estragarem. Por isso, ao começar o blogue Little Up Side Down Cake, há um ano, já fazia os bolos com produtos biológicos. Nunca pensou foi no êxito que viria a conquistar, nem que seria a primeira a certificar a sua produção doméstica, toda elaborada na moderna cozinha da sua casa, depois de pôr as crianças a dormir. Pagou cerca de 300 euros e, em junho, ganhou o selo bio. Agora, distribui os seus cupcakes, muffins, brownies e bolos à fatia pelas lojas Biocoop e Miósotis. Deliciosos, são o remate ideal para uma refeição toda ela isenta de químicos. Experimentar, de forma mais ou menos consciente, será sempre uma opção de cada um.

€18
milhões Volume de vendas de produtos bio, em 2008, na União Europeia. Três anos antes, já tinham sido avaliado em 14 milhões de euros


'Megafone' da saúde: o que dizem especialistas
"Em média, os alimentos biológicos têm níveis mais elevados de vitaminas e minerais (como cálcio, magnésio, ferro e crómio), de hidratos de carbono e proteínas. Neles há também mais antioxidantes que, entre outros benefícios, ajudam a prevenir o cancro. Não contêm aditivos alimentares que agravam problemas de saúde como as doenças do coração, osteoporose ou as dores de cabeça"
SOLANGE BURRI, consultora em alimentação e autora do site Babysol
"Os recetores do paladar são influenciados pelo facto de os alimentos biológicos serem mais concentrados do que os convencionais. O paladar, ao ser estimulado pelo sabor intenso, transmite-nos a sensação de saciedade, rapidamente, fazendo com que se coma menos quantidade"
PAULA RAVASCO, nutricionista e investigadora
"Os legumes e as frutas biológicos são ricos em antioxidantes. Quando estão ao sol, os produtos ganham a sua proteção antioxidante. Logo, quanto mais fértil for a terra e mais lento for o seu processo de crescimento, maior quantidade dessas substâncias vão ter"
CRISTINA SALES, médica

Para saber mais sobre:
  • Mitos e factos dos alimentos da agricultura biológica
  • O preços dos alimentos: Biológicos vs Convencionais
Clique aqui: PDF


Fonte

terça-feira, 11 de março de 2014

COMO AQUECER A CASA SEM GASTAR GÁS OU ELECTRICIDADE?

Conheça o método inventado mais simples e económico de aquecer uma divisão utilizando apenas velas e vasos de terracota.

Este método funciona como um radiador natural apenas utilizando a energia calorífica das velas.

O que precisa?

1 vaso de argila ou terracota pequeno (não tratado, ou seja sem verniz ou pintura)
1 vaso de argila ou terracota grande (não tratado, ou seja sem verniz ou pintura)
4 velas tipo lamparina (tea light)
1 forma retangular de pão metálica
vela aquecedor-01
Para construir este sistema necessita de uma vela e dois vasos de argila ou terracota. Vai necessitar também de uma base que eleve todo o conjusto acima do chão para que as velas tenham uma boa ventilação e o ar possa circlar entre os vasos.
O calor da chama acumula-se dentro de um vaso pequeno posicionado invertido em cima da chama. A argila para além de resistir facilmente a elevadas temperaturas é um ótimo isolador de calor. O buraco na base do vaso é tapado com alumínio.Aqui o metal ajuda a captar o calor absorvendo rapidamente as altas temperaturas  a ajudando a aquecer o ar à sua volta.
Este vaso mais pequeno é o local onde o calor se vai acumular inicialmente para depois ir-se difundindo pelo ar entre os dois vasos e por fim para a atmosfera.
sistema aquecimento1-02
tealights
Coloque as 4 velas acesas em linha dentro da forma metálica. Por cima coloque o vaso de argila mais pequeno virado ao contrário.
tealights copy
O recipiente metálico vai ajudar ainda mais a concentrar e conduzir o calor das lamparinas.
tealight1-03
imagem vaso
Utilize o alumínio que envolve as lamparinas para obstruír o buraco do vaso. Pode espalmar as abas de forma a fazer um disco.
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vaso2
De seguida coloque o vaso grande virado para baixo por cima do vaso mais pequeno e apoiado também por cima do recipiente metálico.
sistema final-02
Cada conjunto de 4 velas dura cerca de 4 horas e o sistema de radiador pode chegar a atingir 80 graus centigrados.

COMO UTILIZAR O PÓ DE TALCO?

10 dicas muito úteis sobre como utilizar o pó de talco nas mais variadas situações!

O pó de talco é geralmente associado à puericultura e cuidados dos bébés, no entanto, ele pode ser utilizado por miúdos e graúdos de diversas formas, tanto na higiene pessoal como também na lide doméstica.
talcono
1. Utilize um pouco de pó de talco para ajudar a desembaraçar nós mais complicados. Este truque funciona também com colares e fios entrelaçados.
talco lencol
2. No Verão, em noites quentes, espalhe um pouco de pó de talco nos lençóis para obter uma sensação de frescura e suavidade como se tivesses sido acabados de colocar.
talcoareia
3. Para atenuar o cheiro da areia do gato espalhe um pouco de pó de talco após ter esta ter sido utilizada.
4. Para um pêlo mais sedoso, menos oleoso e para remover odores mais fortes esfregue o seu gato ou cão com um pouco de pó de talco.
talcobolbos
5. Para preservar os bolbos das plantas, antes de plantar espalhe uma fina camada de pó de talco pelo bolbo. Isto para alem de retardar o apodrecimento ajuda a combater o ataque de certas pestes.
talco nodoa
6. Para ajudar a eliminar nódoas de gordura na roupa, espalhe um pouco de pó de talco diretamente sobre a nódoa e esfregue bem antes de colocar a peça de roupa na máquina.
7. Utilize pó de talco para absorver e limpar nódoas de gordura das páginas dos livros de culinária.
talco madeira
8. Espalhe pó de talco nas madeiras para vedar frinchas e buracos evitando os incómodos ruídos das tábuas a ranger.
9. Na praia, o  pó de talco ajuda também a remover a areia dos pés molhados.
talco sapatilha
10. Para refrescar sapatilhas, antes de as calçar espalhe pó de talco no interior. Ele irá absorver suores e impurezas contribuindo para a higiene do calçado.