segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Mini-Guia De Compras Éticas, Ecológicas E Sem Crueldade Animal / Ecological, Ethical And Cruelty-Free Shopping Mini-Guide:




# Produtos de limpeza para a casa:

- Todos os produtos neste link da Quercus, estão à venda em supermecados a preços acessíveis: http://e-loja.quercus.pt/scid/eStore/defaultproductCategoryViewOne.asp?productCategoryId=340

- Ainda há as seguintes opções:
> Marca Sonetthttp://greenfibres.server101.com/sonett/sonett_key.php, à venda em lojas de produtos naturais e online aqui http://www.cemporcentovegan.pt/store.php?cat=16&par=0
Marca Bio-Dhttp://www.biodegradable.biz/, à venda em lojas de produtos naturais e online aqui http://www.ecoescolhas.com/67-limpeza-ecologica,


Receitas para detergentes caseiros

# Cosmética e higiene pessoal:

- Para cosmética e higiene pessoal de supermercado, sugiro a Nívea, que não testa em animais e que lançou recentemente a gama Pure & Natural, que tem produtos 95% de origem vegetal:

- Sugiro também a Corine de Farme, que também não em animais, e que lançou recentemente a gama Woman, que tem produtos entre 95% e 99% de origem vegetal: http://www.corinedefarme.com/#/home

- A marca de sabonetes Confiança, é vegetal, não testa em animais, é extremamente barata e existe à venda em qualquer supermercado: http://www.confiancasoaps.com/

- A marca Biopha Nature, também parece ser muito razoável.

- A marca Naetura, preconiza preços altos, mas é de facto uma das melhores em termos de qualidade (à venda no Jumbo): http://www.kalma-organics.com/

- Nos supermecados LIDL, temos a marca Sahuda Nature, de baixo custo:http://ritavegan.blogspot.com/2011/02/produtos-de-higiene-vegan-de-baixo.html

- Fora dos supermercados, há a opção das lojas O Boticário, que não testam em animais e de há um tempo para cá, têm tido algumas preocupações ambientais, desenvolvendo produtos mais ecológicos.

- Outra opção é a Yves Rocher, que só não tem o selo de aprovação da Vegan Society porque utiliza mel e cera de abelha em alguns dos seus produtos, de resto, é tudo natural e vegetal, e é uma empresa com imensas preocupações ambientais, procurando desenvolver produtos o mais amigos do ambiente possível: (com Maquilhagem) http://www.yrportugal.eu/yvesrocher.html
O chato em relação à Yves Rocher é que só funcionam por encomendas, e o valor destas tem, obrigatoriamente, de ser superior a €35, mas vale mesmo a pena.
- A marca Faith In Nature, é aprovada pela Vegan Society e considerada uma das melhores em todo o mundo: http://www.faithinnature.co.uk/

Recomendo também a loja online 100% Vegan, onde todos os produtos comercializados por esta empresa portuguesa, são aprovados pela Vegan Society:http://www.cemporcentovegan.pt/store.php?cat=28&par=0
Há ainda as seguintes opções online:
> Eco-Escolhas (Com Maquilhagem):http://www.ecoescolhas.com/31-maquilhagem

e aqui (mencionam alguns ingredientes de origem animal por não se tratar de uma site vegan): http://www.astrologosastrologia.com.pt/magia_beleza.htm

- No que toca a lâminas, ainda não tenho conhecimento de nenhuma que não seja testada em animais, mas a marca Gillette, anda a ceder à pressão dos consumidores e tem estado a substituir parte dos animais por tubos de ensaio para testar as lâminas, portanto achamos que, dentro das cruéis, a Gillette será a menos cruel: http://www.gillette.com/pt/PT/home.aspx

# Informações úteis:

- As marcas mais tóxicas para a nossa saúde, para o ambiente e mais cruéis para com os animais são:
L'Oreal (Maybeline, Body Shop, Elvive, Garnier, etc -> http://www.kalma-organics.com/WebRoot/StoreES/Shops/ea2345/48A3/0004/0AD3/ABA6/66FD/D94C/8776/1EEC/L_0027_Oreal_0020_accused_0020_of_0020_using_0020_banned_0020_chemicals.pdf e http://www.facebook.com/photo.php?pid=643547&l=5c0e7bbcf3&id=100000656421084)
Unilever (Gelados Olá, Becel, Dove, H&S - antigo Head & Shoulders - Pantene, Lipton, etc -> http://www.mindfully.org/Industry/Unilever-Mercury-India.htm ehttp://www.facebook.com/photo.php?pid=504416&l=e3d7f4753c&id=100000656421084)
Coca-Cola (líquido nefasto para o nosso organismo e para o solo terrestre; e cúmplice de imensas mortes na Índia, Colombia e alguns países árabes ->http://www.indiaresource.org/campaigns/coke/2006/cokepoisoning.html ehttp://www.facebook.com/photo.php?pid=430446&l=adc3b33e66&id=100000656421084)
McDonald's (http://www.youtube.com/watch?v=4IGtDPG4UfI&feature=fvst)
Nestlé (exploração laboral infantil, poluição ambiental, ingredientes “alimentares” nefastos para a saúde humana, etc -> http://www.digitaljournal.com/article/289481,  http://www.breastfeeding.com/advocacy/advocacy_boycott.html ehttp://www.facebook.com/photo.php?fbid=184382438260302&set=a.177722095593003.38874.100000656421084&type=1#!/photo.php?fbid=184382438260302&set=a.177722095593003.38874.100000656421084&type=1&pid=504421&id=100000656421084)
Nike e Adidas (trabalho laboral infantil e sacrifício de animais, nomeadamente cangurus -> http://www1.american.edu/ted/nike.htm e http://www.scribd.com/doc/28284712/Adidas-and-kangaroo-killing)
> Lojas chinesas (isto porque como costumo dizer, a China é mesmo o inferno para os animais aqui na terra, e comprar Made In China é estar a dar mais força à sua economia, que já é um grande monstro por si só, e que consome uma fatia de tamanho abismal de recursos naturais, que podia muito bem servir de abastecimento a países onde crianças morrem por falta de 2 litros de água ao dia, ou um pratinho de arroz ou batata. -> vídeo chocante: http://www.youtube.com/watch?v=dyLZnZf5-80)
- Testes em animais:
> Site de imagens de experimentação animal:http://www.animalexperimentspictures.com/
> Site com a descrição dos testes em animais mais comuns:http://www.aila.org.br/denuncias_testes.htm



- Vídeos: 
> “Earthlings”, vídeo sobre a crueldade da indústria animal (versão censurada, sem imagens chocantes): http://blip.tv/file/4611026
> "Meet Your Meat", vídeo sobre a crueldade da indústria animal (extremamente violento): http://www.youtube.com/watch?v=Ple_syJmAoA
> “28 Coisas Que Deve Saber Acerca Do Leite De Vaca”, vídeo sobre a verdade acerca dos lacticínios: http://www.youtube.com/watch?v=D2J6phADJvY
> “Uma Vida Interligada”, vídeo a importância de se ser vegan ou vegetariano:http://www.youtube.com/watch?v=eSWh9RLWpcg
> “Carne E O Meio Ambiente”, vídeo sobre o impacto do consumo de carne no ambiente: http://www.youtube.com/watch?v=7zeU8ti-p7o


- Textos:
> Texto que explica como a carne de vitela é obtida:http://ritavegan.blogspot.com/2011/02/como-tenra-carne-de-vitela-e-obtida-how.html
> Leite De Vaca É Veneno: http://ritavegan.blogspot.com/2011/01/leite-de-vaca-e-veneno-cows-milk-is.html
> Guia Simples De Alimentação Vegan:http://ritavegan.blogspot.com/2011/01/guia-de-alimentacao-vegan.html

Nota: Este texto pode e deve ser partilhado, e irá sendo actualizado conforme me cheguem mais informações.

Texto de Rita André (http://www.ritavegan.blogspot.com), com a cordial colaboração de CorAcção Actividades Sociais (http://www.coraccao.blogspot.com/).

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Bagas


Sabia que as bagas, frutos do bosque ou silvestres, como também são chamadas, têm propriedades benéficas? Morangos, amoras, groselhas, mirtilos, framboesas, arandos vermelhos, ou ainda outras menos comuns, como o açaí ou o goji não só são saborosas como também ajudam a promover a saúde.
São características das zonas mais frias, e por isso nem sempre são comuns na nossa alimentação. Podem ser difíceis de encontrar, mas as suas qualidades nutricionais são de tal forma importantes que é impossível ignorá-las.
Perfil nutricional e substâncias naturalmente presentes
Incluídas no grande grupo dos frutos ácidos, as bagas são excelentes fontes de antioxidantes e apresentam, naturalmente, um baixo teor de calorias e de gorduras. São ricas em vitamina C, em fibras e em polifenóis. Estes últimos são fitoquímicos que ajudam as plantas a protegerem-se dos raios solares, incentivam a polinização e afastam predadores e doenças. Devido às suas propriedades antivirais e anticarcinogénicas, os polifenóis apresentam-se como potenciais promissores na redução de doenças, como o cancro e as doenças cardiovasculares, por exemplo, razão pela qual têm sido alvo de inúmeros estudos.

Nas bagas, existem milhares de polifenóis, destacando-se, contudo, os flavonóides, que incluem as antocianinas e ainda o ácido elágico. As antocianinas, pigmentos que conferem a cor vermelha aos morangos e azulada às amoras e aos mirtilos, apresentam uma elevada actividade antioxidante  e são eficientes na neutralização dos efeitos dos radicais livres. O ácido elágico é um pigmento presente nas plantas e encontra-se em elevadas concentrações em morangos, framboesas, amoras bem como noutros frutos. Pesquisadores demonstraram em ensaios, que o ácido elágico impedia as células cancerígenas de se replicarem, ao invés de se multiplicarem descontroladamente como é usual.

Propriedades benéficas
Existem inúmeros registos sobre a utilização das bagas no combate a várias afecções.

O arando vermelho tem sido usado tradicionalmente para combater infecções do tracto urinário e a sua acção deve-se ao facto de impedir que as bactérias se fixem nas paredes do aparelho urinário. Em estudos, verificou-se que a ingestão de sumo de arando vermelho ajudava a proteger o tracto urinário com uma taxa de sucesso considerável.

O mirtilo pode ajudar a melhorar a acuidade visual, nomeadamente a visão nocturna. Esta baga pode ainda ajudar a melhorar outros problemas de visão, incluindo miopia, degeneração da mácula devido à idade ou retinopatia diabética. Pode também ajudar a reduzir os valores da glucose sanguínea, sendo benéfica na diabetes.
Têm surgido evidências de que as antocianinas podem ajudar a proteger o cérebro e o sistema nervoso dos efeitos do envelhecimento. Alguns estudos demonstraram que ratos idosos, aos quais foi administrado mirtilo, apresentavam uma melhor memória e coordenação.   Existem também evidências de que a suplementação com mirtilo poderá proteger o sistema nervoso de condições relacionadas com o stress oxidativo e inflamação, tais como Alzheimer e doença de Parkinson.
Devido às suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, as antocianinas presentes nas bagas podem ajudar na manutenção de uma boa saúde cardiovascular. Possuem ainda diferentes propriedades anticancerígenas, sendo por isso alvo de estudos.

As bagas no dia-a-dia
No Verão em que se preparam pratos mais leves, a fruta ocupa um lugar de destaque e as bagas são uma opção saudável: simples como sobremesa ou refeição ligeira, em sumo ou batidos, adicionadas a cereais ou iogurtes, em compotas ou geleias, gelados, em tartes ou em bolos…

Onde encontrar?

Algumas bagas são fáceis de encontrar frescas, como os morangos. Já outras, como mirtilos, framboesas ou amoras nem sempre se encontram disponíveis frescas. Poderá optar por bagas congeladas, pois mantêm as suas propriedades intactas. Ou encontrar algumas variedades secas.
Existe ainda a possibilidade de usufruir das propriedades benéficas de algumas bagas através dos seus extractos, sob a forma de suplementos, como é o caso do mirtilo, do arando vermelho ou do açaí.
Ao incluir as bagas como parte integrante de uma dieta equilibrada e variada beneficia das suas propriedades e dá mais cor e sabor aos seus pratos neste Verão!

Baga a baga… e a sua saúde ganha!

Morangos: fonte de fibras, ricos em vitamina C, fonte excelente de ácido elágico, antocianinas.

Mirtilos: fonte de fibras, fonte de vitamina C, enorme poder antioxidante: antocianinas, fonte de ácido elágico.

Amoras: ricas em fibras, fonte de vitaminas C e E, taninos, antocianinas, ácido elágico.

Framboesas: ricas em fibras, fonte de vitamina C, betacaroteno, ácido elágico, catequinas, monoterpenos.

Arando vermelho: fonte de fibras, fonte de vitamina C, taninos, ácido elágico.

Groselha: fonte de fibras muito, rica em vitamina C, antocianinas, licopeno.

Açaí: rica em fibras, proteínas e ácidos gordos essenciais, fonte de vitamina E e C, e de minerais, enorme poder antioxidante: antocianinas, fonte de ácido elágico.

Goji: fonte de fibras, aminoácidos, rica em vitamina C, outras vitaminas e minerais, enorme poder antioxidante: polissacáridos.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Polvilho Azedo, Doce e Fécula de Mandioca


O polvilho doce é a fécula ou amido da mandioca pura e o polvilho azedo é a mesma fécula fermentada. Tipo amido de milho(maisena).

O polvilho, também chamado de fécula de mandioca, carimã ou goma, é o amido da mandioca.
O polvilho azedo é um tipo modificado por processo de fermentação e secagem solar, apresentando características bem diversas do polvilho doce. É utilizado para diversos fins culinários, como o preparo da massa para o pão-de-queijo, bolinho típico de Minas Gerais e para a pamonha.

Polvilho doce e fécula são tecnicamente o mesmo produto. Comercialmente, é comum a denominação de polvilho doce para o produto obtido por secagem solar, processado em unidades menos automatizadas, de menor escala.

Polvilho azedo é um produto obtido da mesma forma que o doce, mas que sofre uma fermentação após a etapa de decantação da fécula e antes da secagem, que é obrigatoriamente feita por método solar. O polvilho azedo é um amido modificado.

O ingrediente é indispensável para a fabricação de biscoitos de polvilho e do pão-de-queijo.
Com base no exposto, fécula de mandioca, goma e polvilho doce são a mesma coisa e vem da mandioca. E deveriam ser chamados apenas de fécula de mandioca.
O mesmo raciocínio vale para batata (fécula de batata), arroz (amido de arroz) e milho (amido de milho).
Enquanto que polvilho azedo é um outro produto, tem como base o polvilho doce. Porém, passou por um processo de fermentação por 15-20 dias

fonte

Polvilho Azedo: Assim como o amido ele possui uma textura aveludada e é uma farinha bem fina, pode ser usado  para engrossar molhos, cremes, sopas e etc.

Polvilho Doce: ou Fécula de Mandioca, assim como a de batata também não deixa cremes e molhos com a cor opaca e é um ótimo espessante, porém quando usado com essa função deve ser usado sempre o dobro do que seria em amido de milho, ou seja: Se a receita pedir ¼ xícara de amido de milho troque por ½ xícara de fécula de mandioca).


Receitas [clique aqui]



 Da mandioca à tapioca e ao polvilho 
Antes de mais nada, vamos combinar que goma seca, polvilho doce, amido de mandioca, fécula de mandioca, almidon de tapioca e tapioca starch são todos a mesma coisa. É o carboidrato presente na mandioca (aipim, macaxeira, cassava, yucca) com quase nada aderido a ele - sem glúten, baixíssimo teor de proteína e gordura, altamente calórico (quase como o açúcar, também carboidrato) e que faz maravilhas na cozinha, como beijus, brevidades, pães de queijo, tapiocas, pudins, molhos e tantas outras. Era a farinha mais usada por aqui antes da globalização do trigo. E o mais importante: fácil de se fazer até na cozinha do apartamento - só por diletantismo, já que o polvilho é um produto tão barato.

Continue a ler aqui!

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

TPM: QUEM NUNCA SOFREU?

Seja sua ou de alguém que está por perto, a TPM por muitas (e muitas) vezes é um incômodo geral….

Temida por muitos homens, vivida por muitas mulheres, a tensão pré-menstrual (TPM) é com certeza um período de fortes emoções. A TPM (também conhecida como síndrome pré-menstrual) é um período caracterizado por sinais físicos, cognitivos e emocionais que ocorrem entre o 14º e 28º dia do ciclo menstrual. Estes sintomas, presentes em grande parte do público feminino, diminuem rapidamente com o início do fluxo menstrual.

É muito comum as mulheres relatarem ansiedade, compulsão por doces, inchaço e choro fácil como sintomas clássicos da TPM e que definitivamente atrapalham o controle alimentar. Os principais sinais (dentre os mais de 200 já descritos!!) foram divididos em 4 grupos e classificados conforme tipos diferentes de TPM. Não é raro mulheres apresentarem sintomas variados entre os tipos de TPM, mas, normalmente, cada mulher tem mais latente um tipo de síndrome pré-menstrual. De qualquer forma, é de grande importância conhecer sua TPM, saber quando ela começa e ter boas estratégias para não deixar que os sintomas influenciem (muito) sua ingestão alimentar.

TPM Tipo A: mulheres que sofrem principalmente com ansiedade, irritabilidade e alterações de humor devem preferir alimentos que reduzam o desequilíbrio hormonal, melhorem a absorção de nutrientes e promovam o bem estar.

Prefira: Pães, bolachas, biscoitos integrais, aveia,cereais integrais, oleaginosas (nozes, castanhas).

Evite: café, refrigerantes à base de cola, laticínios no geral, chocolate e bebidas alcoólicas

TPM Tipo C:  mulheres que sofrem principalmente com dores de cabeça, aumento de apetite, desejos por alimentos específicos e fadiga. O principal objetivo é reduzir a fome insaciável, principalmente a compulsão por doces e chocolates.

Prefira: a associação de carboidrato complexo (integrais) com uma proteína, como 1 fatia de pão de forma integral com 1 fatia de peito de peru; ou ½ xícara de cereais integrais com 1 xícara de leite desnatado.

Evite: açúcar, chocolate, bebidas alcoólicas e frutas muito doces.

Exercícios que podem ajudar: caminhada, natação ou hidroginástica.

TPM Tipo D: mulheres que sofrem principalmente com depressão, insônia, choro sem motivo, esquecimento e confusão mental. O foco neste caso é fornecer alimentos que regularizem a produção de neurotransmissores e combater os fatores depressivos.

Prefira: ainda que, na maioria das vezes, seja contra indicada para mulheres com TPM, a cafeína pode ajudar na melhoria do sintoma depressivo. Por isso, 1 xícara de café pode auxiliar para melhorar os ânimos.

Evite: laticínios e bebidas alcoólicas.

TPM Tipo H: mulheres que sofrem principalmente com ganho de peso, dores abdominais, edema, dores nas mamas, devem priorizar alimentos diuréticos e antiinflamatórios, para também reduzir a ansiedade.

Prefira: bastante água, frutas com bastante água (melancia, melão, tangerina) e água de coco.

Evite: sal e laticínios

Independente do seu tipo de TPM, algumas boas dicas que podem minimizar os sintomas:

- Reduza o consumo de gorduras animais (leites integrais, queijos amarelos, carnes vermelhas e com gordura, pele de frango), frituras, álcool, sal e alimentos ricos em sódio (embutidos, temperos industrializados, salgadinhos de pacote), açúcar e doces, bebidas com cafeína (café, chá preto e mate, refrigerantes a base de cola, guaraná).

- Aumente seu consumo de água. Tente ingerir ao menos 3 ou 4 copos de água a mais do que o costume. A água é importante para prevenir a retenção de líquidos e a fadiga

- Aumente o consumo de laticínios (leite desnatado, queijos magros, iogurtes desnatados, coalhadas) para reduzir cólicas e mau humor.

Fontes auxiliares:  Schneider AP, Nutrição Estética, Ed Atheneu, 2009;  Silva SMCS & Mura JDAP. Tratado de Alimentação, Nutrição e Dietoterapia. Ed Roca, 2011;


http://nutrir-bem.com/2012/05/18/tpm-quem-nunca-sofreu/

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Tipos de arroz

Um prato tipicamente brasileiro não deixa de fora a dupla arroz e feijão. E mesmo com uma combinação tão tradicional, dá para variar o cardápio e contar com os benefícios a nossa saúde e à dieta. Já pensou em substituir o arroz branco por uma outra versão? Integral, negro ou parboilizado, contabilizamos nove tipos de arroz mais encontrados no Brasil. "O arroz é um cereal importante por ser uma boa fonte de carboidratos. Ele também contém proteínas e fibras e, em algumas versões, é fonte de vitaminas e minerais", diz a nutricionista Audrey Abe, da rede Natural em Casa. Cada um possui uma qualidade específica, seja em relação ao seu valor nutritivo ou na mudança de sabor. Conheça mais sobre cada variedade.


Polido ou agulha
Esse é o arroz mais comum, também chamado de arroz branco ou tradicional. Como tem sua "casca" retirada durante o seu processo de fabricação - por isso recebe o nome de polido - não é um dos tipos de arroz mais nutritivos. O seu ponto forte é ser o mais barato, mais fácil de encontrar e o que tem maior funcionalidade, podendo ser usado para fazer uma lista grande receitas. Além disso, o arroz polido é que demora menos tempo para ficar pronto. A proporção de água deve ser de duas xícaras de água para cada uma de arroz, para que ele fique macio sem ficar com o aspecto "papa" ou grudento.

Arroz integral
Por não passar pelo processo normal de industrialização, o arroz integral mantém a camada externa do grão, conservando as suas principais qualidades e contém três vezes mais fibras do que o industrializado, cinco vezes mais vitaminas e quatro vezes mais magnésio. "Além de ter vitaminas A, B1, B2, B6, B12 e minerais, é rico em fibras, que ajudam a manter o intestino regulado", diz a nutricionista. O integral pode ser encontrado com facilidade, mas o seu preço é maior que a versão tradicional. Na hora de preparar um prato com arroz integral, é importante lembrar que ele demora mais para ficar pronto e precisa de mais água para ficar com uma consistência boa para consumo. Deve-se usar o mesmo número de xícaras de água e de arroz e esperar pelo menos duas vezes mais tempo até tirá-lo da panela.

Arroz parboilizado
Esse tipo de arroz, assim como o integral, está caindo cada vez mais no gosto dos brasileiros. Ao passar por um tratamento hidrotérmico (água fervente), que consiste em cozinhar parcialmente os grãos com casca, parte das vitaminas e minerais passam da casca para o interior do arroz, aumentando o valor nutritivo e concentrando uma maior quantidade vitaminas do complexo B em cada grão. "O processo hidrotérmico enriquece a parte interna do arroz, deixando-a com valores nutritivos próximos ao arroz vendido com casca. Além disso, a temperatura superior a 58 graus usada no processo de parboilização muda a composição do amido, fazendo com que o arroz absorva ainda mais nutrientes da casca", diz Audrey Abe.
Facilmente encontrado, principalmente em lojas de produtos naturais, esse tipo de arroz segue o mesmo padrão de preparo do arroz branco, já que não tem casca.

Arroz Cateto ou Japonês
Como o próprio nome já diz, essa variedade é a base da culinária japonesa. Com grãos curtos, curvados e um pouco transparentes, têm grande quantidade de amido e, após o preparo, tende a ficar mais macio e cremoso, se comparado com o arroz polido. Ele também pode ser encontrado com grãos que mantêm a sua casca e o gérmen, concentrando assim o seu valor nutricional. "Esse tipo de arroz também tem a sua versão "integral", que conserva maiores quantidades de vitaminas do complexo B e minerais", explica a nutricionista. Para deixar o arroz cateto mais macio, sem que ele fique grudado, é importante deixá-lo um pouco mais de tempo cozinhando do que o arroz tradicional, seguindo o padrão de uma xícara de água para cada duas de arroz.

Arroz arbóreo
Possui o grão mais arredondado e concentra bastante amido, conferindo consistência cremosa. Também tem uma incrível capacidade de absorver condimentos. Por isso, é o mais indicado para preparações de risotos. "Como não possui casca e não passa por nenhum processo que conserve seus nutrientes, o arroz arbóreo tem o mesmo valor nutricional do arroz tradicional", diz Audrey Abe. Ele pode ser encontrado em redes de supermercados normais, e o seu modo de preparo é o mesmo do arroz tradicional.

Arroz basmati ou indiano
Famoso por seu aroma adocicado de nozes, o diferencial do arroz basmati em relação ao comum é o seu gosto mais forte e a sua capacidade de reter água durante o preparo sem que os grãos fiquem grudados uns nos outros. "Os grãos deste tipo de arroz são bem mais longos e ficam ainda mais compridos quando cozidos. Mesmo que os níveis nutricionais sejam praticamente iguais aos do arroz branco, ele pode ser usado em ocasiões especiais para variar o cardápio", diz a especialista. O arroz indiano é mais caro que o tradicional, e só é encontrá-lo em lojas especializadas em produtos naturais ou orientais. Como já possui um gosto bastante característico, ele dispensa a adição de temperos durante o preparo.


Arroz vermelho
O arroz vermelho é rico em monocolina, substância que pode auxiliar na redução do nível de LDL (colesterol ruim) no sangue, aquele que pode causar infartos e derrames cerebrais. Além disso, segundo a nutricionista, o extrato desse tipo de arroz pode auxiliar na circulação sanguínea, na digestão e nas funções intestinais. Apresenta também três vezes mais ferro e duas vezes mais zinco que o arroz branco. O preparo pode ser feito da mesma maneira que o arroz tradicional. Ele também é bastante acessível e pode ser encontrado em redes de supermercados.


Arroz negro
Apesar de ainda não ser muito popular, o sabor e a cor acastanhada do arroz negro podem ser novidade por aqui, mas já é conhecido na China há milhares de anos. "Este tipo de arroz contém 20% a mais de proteínas e 30% a mais de fibras em relação ao arroz integral", diz Audrey Abe. Quer mais? Ele tem um elevado teor de ferro, menos gordura e menor valor calórico. Análises do produto também apontaram o grande conteúdo de compostos fenólicos, substâncias antioxidantes, que combatem os radicais livres, prevenindo o envelhecimento precoce, doenças crônico-degenerativas, problemas cardiovasculares e até câncer.


Arroz selvagem
Ainda pouco encontrado no Brasil, o arroz selvagem, apesar do nome, não é um arroz de verdade, mas um tipo diferente de gramínea. Os grãos são escuros (marrons e pretos) e o seu comprimento é três vezes maior que o do arroz comum, tendo em seu interior um aspecto claro e macio. "Ele é bastante usado na culinária oriental, mas como são poucos os lugares em que é produzido (Estados Unidos e Canadá), ainda é pouco conhecido no Brasil e difícil de ser encontrado fora de lojas especializadas em produtos naturais", diz a nutricionista Audrey Abe.

 As suas qualidades nutricionais também chamam a atenção, pois este grão é pobre em gorduras e rico em proteínas, a lisina (uma aminoácido benéfico ao corpo) e fibras. É também uma boa fonte de potássio, fósforo e vitaminas.

Tipo de arrozCalorias (Kcal)Carboidratos (g)Proteínas (g)Gorduras (g)Fibras (g)
Branco12426,62,321,180,49
Integral7614,53,01,02,7
Parboilizado12325,63,20,60,63
Cateto18039,14,01,01,0
Arbóreo17539,24,161,170,50
Basmati17138,13,50,50,8
Vermelho17336,44,91,04,2
Negro17336,44,91,04,2
Selvagem17035,66,00,53,0

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Equilibrio financeiro através da alimentação saudável e económica

Aprenda a manter uma boa alimentação para se manter bem alimentado com produtos de qualidade sem gastar muito dinheiro.

Como manter uma boa alimentação para se manter bem alimentado com produtos de qualidade sem gastar muito dinheiro?

É possível poupar dinheiro na carteira e continuar a alimentar-se de produtos que o deixam bastante bem fisicamente, vamos evitar, com estes tempos de crise, alimentar-nos de batatas fritas, massas, cachorros quentes e afins, pois a crise não é desculpa para levar uma má alimentação.

Deverá sempre tomar o pequeno-almoço e afins em casa, sai sempre mais barato do que no café ou afins, tente sempre comprar fruta e legumes numa loja em que haja qualidade e que seja mais barato do que num supermercado, evite o fast-food, pode parecer uma solução para poupar dinheiro e comer, porem, isso irá trazer-lhe enumera consequências, deverá afastar-se desse tipo de alimentos ao máximo, podem parecer muito bonitos mas o que faz ao seu corpo é muito mau.


Comprar fruta no mercado – mais económico e mais saudável!

Muitos pensam que comprar fruta e legumes frescos caro na carteira, isso é totalmente falso, tente sempre aproveitar aquelas promoções em que se comprar mais paga menos. E se comprar numa frutaria sai sempre bastante mais barato do que num supermercado e poderá ter a certeza que são de qualidade.

Caso os legumes e frutas que precisa não estarão disponíveis na loja onde compra habitualmente a preços acessíveis, pode sempre optar por legumes e frutas enlatados, visto que, esses produtos são enlatados quando acabam de ser colhidos da natureza e não perdera nenhuma das suas qualidades.


Se viver no campo – comece a cultivar

Uma boa alternativa, para quem tem um jardim ou um pequeno quintal, será plantar aqueles legumes que mais gosta para evitar comprar, ou então mesmo em casa, algumas árvores pequenas que poderão ficar na varanda ou assim.

Isto é muito bom para as pessoas que tentam ao máximo poupar dinheiro, se seguirem estas regras a risca, no final do mês poderá juntar o dinheiro ou mesmo gastar em algo que você realmente deseja comprar. Boa sorte e boas poupanças!

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Pense na lagosta

Uma incursão num mundo de exageros, mau gosto, prazeres e crueldade
por DAVID FOSTER WALLACE

O enorme, pungente e muitíssimo bem divulgado Festival da Lagosta do Maine ocorre a cada final de julho na região costeira central do estado, isto é, o lado ocidental da baía de Penobscot, tronco nervoso da indústria da lagosta do Maine. A chamada região costeira central vai de Owl’s Head e Thomaston, ao sul, até Belfast, ao norte. (Na verdade poderia se estender até Bucksport, mas nunca conseguimos passar de Belfast seguindo rumo ao norte pela Rota 1, cujo tráfego no verão é, como se pode imaginar, inimaginável.) As duas principais comunidades da região são Camden, com suas famílias ricas tradicionais, marina, restaurantes cinco estrelas e pousadas maravilhosas, e Rockland, um vilarejo de pescadores muito antigo que a cada verão abriga o festival no histórico Harbor Park, bem ao lado da água.
O turismo e as lagostas são os principais setores de atividade da região costeira central, dois ramos associados ao clima quente, e o Festival da Lagosta do Maine, mais que uma intersecção dessas indústrias, representa uma colisão proposital, alegre, lucrativa e barulhenta. O assunto escolhido para este artigo da revista Gourmet é o 56o FLM, promovido de 30 de julho a 3 de agosto de 2003, neste ano com o tema oficial de “Faróis, Risadas e Lagostas”. O público pagante total superou as 80 mil pessoas, em parte graças a um anúncio veiculado nacionalmente na CNN em junho, no qual a editora sênior da revista Food &Wine saudava o FLM como uma das melhores festividades gastronômicas do mundo.
Pontos altos do festival em 2003: as apresentações de Lee Ann Womack e Orleans, o concurso de beleza anual da Deusa do Mar do Maine, o grande desfile do sábado, a Corrida Sobre Gaiolas de Lagosta em Memória a William G. Atwood no domingo, a Competição Anual de Culinária Amadora, os brinquedos e estandes do parque de diversões, as barraquinhas de comida e a Praça de Alimentação Principal da flm, onde perto de 12 mil quilos de lagostas do Maine fresquinhas são consumidos após serem preparados na “Maior Panela Para Lagostas do Mundo”, perto do acesso norte do festival. Também são oferecidos sanduíches de lagosta, folhados de lagosta, lagosta salteada, salada de lagosta Down East, sopa creme de lagosta, ravióli de lagosta e bolinhos fritos de lagosta. É possível obter lagosta à thermidor em um restaurante tradicional chamado Black Pearl, no cais noroeste do Harbor Park.
Um amplo estande de madeira de pinho patrocinado pelo Conselho de Fomento à Lagosta do Maine distribui panfletos gratuitos com receitas, dicas de consumo e curiosidades sobre lagostas. O vencedor da Competição de Culinária Amadora da sexta-feira preparou Potinhos de Lagosta com Açafrão, receita que agora se encontra disponível ao público para download em www.mainelobsterfestival.com. Há camisetas de lagostas, bonecos articulados de lagostas, lagostas infláveis para piscinas e chapéus acopláveis de lagosta com enormes garras escarlates que chacoalham em molas. Este correspondente viu tudo isso, acompanhado por uma namorada e ambos os pais – um dos quais, a propósito, é nascido e criado no Maine, ainda que no interior da região mais ao norte, uma terra de batatas a um mundo de distância do turismo da região costeira central.ara fins práticos, todo mundo sabe o que é uma lagosta. Como de costume, todavia, existe muito mais para saber do que a maioria de nós se importa em descobrir – é tudo uma questão de interesses pessoais. Em termos taxonômicos, uma lagosta é um crustáceo marinho da família homaridae, caracterizado por cinco pares de patas articuladas dos quais o primeiro termina em grandes garras semelhantes a pinças, utilizadas para subjugar presas. Como muitas outras espécies de carnívoros bentônicos, as lagostas são ao mesmo tempo caçadoras e saprófagas. Possuem antenas, olhos pedunculares e guelras nas patas. Há mais ou menos uma dúzia de tipos diferentes de lagostas ao redor do mundo, mas a espécie aqui relevante é a Homarus americanus, conhecida como lagosta do Maine ou lagosta-americana.A palavra inglesa lobster vem do inglês antigo loppestre, supostamente uma corruptela de locusta, a palavra latina para gafanhoto que também é a raiz de “lagosta”, combinada com o inglês antigo loppe, que significa aranha.
Além disso, um crustáceo é um artrópode aquático da classe crustacea, que inclui caranguejos, camarões, cracas, lagostas e lagostins-de-água-doce. Tudo isso está lá, na enciclopédia. E os artrópodes são membros do filo Arthropoda, que abrange insetos, aranhas, crustáceos e quilópodes/diplópodes, que possuem como principal traço comum, além da ausência de uma estrutura centralizada cerebroespinal, um exoesqueleto quitinoso composto por segmentos,ao qual se articulam pares de apêndices. questão é que lagostas são basicamente insetos marinhos gigantes. (Por sinal, o termo usado pelos nativos da região costeira central para falar de lagostas é “inseto”. Por exemplo: “Aparece lá em casa no sábado, vamos cozinhar uns insetos.”) Como a maioria dos artrópodes, as lagostas remontam ao perío-do jurássico; biologicamente são anteriores aos mamíferos que bem que poderiam ser de outro planeta. E – particularmente em seu estado natural marrom-esverdeado, brandindo as garras como se fossem armas e agitando as grossas antenas – não são bonitas de se ver.E é verdade que se trata de lixeiras do mar, comedoras de coisas mortas, embora também comam um pouco de moluscos vivos, certos tipos de peixes machucados e por vezes umas às outras. Cultura inútil: armadilhas para lagostas geralmente usam como isca arenques mortos.
Mas também são boas de comer. Ou pelo menos é o que achamos agora. Até certa altura do século XIX, todavia, a lagosta era literalmente um alimento de classe baixa, consumido apenas pelos pobres e encarcerados. Até mesmo no rude ambiente penal dos primórdios da história americana algumas das colônias tinham leis limitando o uso de lagostas na alimentação dos detentos a uma única vez por semana, porque isso era julgado cruel e incomum, semelhante a obrigar pessoas a comerem ratos. Uma das razões para esse baixo prestígio era a fartura de lagostas na Nova Inglaterra de então. “Abundância inacreditável” são as palavras com que uma fonte descreve a situação, inclusive com relatos de peregrinos de Plymouth capturando lagostas à vontade com as mãos nuas ou do antigo litoral de Boston coberto de lagostas após uma série de tempestades. Elas foram consideradas um incômodo fedorento e moídas para serem usadas como adubo. Também é preciso levar em conta que as lagostas pré-modernas eram cozidas mortas e em seguida postas em conserva, geralmente em sal ou embalagens herméticas primitivas. A indústria da lagosta no Maine teve início com uma dúzia dessas fábricas de conserva nos anos 1840, de onde as lagostas eram enviadas a lugares tão distantes quanto a Califórnia, e a demanda existia somente por serem baratas e possuírem um alto teor de proteína, basicamente um combustível mastigável.
Hoje em dia, é claro, a lagosta é chique, uma iguaria, poucos graus abaixo do caviar. Possui uma carne mais saborosa e substancial que a maioria dos peixes, com um gosto sutil se comparado ao gosto de mar dos mexilhões e dos mariscos. Na imaginação alimentícia populardos Estados Unidos, a lagosta se tornou o análogo marinho do filé, ao lado do qual é tantas vezes servida como Surf and Turf na parte mais cara dos cardápios de cadeias de restaurantes.
Aliás, um projeto óbvio do FLM e de seu patrocinador onipresente, o Conselho de Fomento à Lagosta do Maine, é combater a ideia de que a lagosta é uma comida luxuosa, cara ou prejudicial à saúde, adequada somente a paladares afetados ou como petisco ocasional para escapar da dieta. Palestrase panfletos enfatizam sem descanso que a carne de lagosta tem menos calorias, menos colesterol e menos gordura saturada que a carne de frango. E na Praça de Alimentação Principal é possível comprar um “quarto” (gíria da indústria para uma lagosta de 600 gramas), um copinho com 120 gramas de manteiga derretida, um saco de batatas fritas e um pãozinho com manteiga por 12 dólares, o que é apenas um tantinho mais caro que jantar no McDonald’s. É claro que o hábito corriqueiro de mergulhar carne de lagosta em manteiga derretida torpedeia todas essas alegres curiosidades saudáveis sobre gordura, o que nunca é mencionado pelo material promocional do Conselho, assim como os informativos da indústria da batata nunca mencionam o creme azedo e os cubinhos de bacon.aiba que no Festival da Lagosta doMaine a democratização da lagosta vem acompanhada por toda a inconveniência maciça e concessão estética da verdadeira democracia. Confira, por exemplo, a supracitada Praça de Alimentação Principal, para a qual existe uma fila constante digna da Disneylândia, e que consiste em meio quilômetroquadrado de balcões de cafeteria protegidos por um toldo e fileiras de longas mesasinstitucionais onde amigos e desconhecidos sentam-se coladinhos, quebrando, mastigando e babando. É um lugar quente, onde o teto descaído aprisiona o vapor e os odores, sendo que estes últimos são fortes e apenas parcialmente relacionados a alimentos. É também um lugar barulhento, e uma porcentagem considerável do ruído total émastigatória.
A comida é servida em bandejas de isopor, os refrigerantes não têm gelo nem gás, o café é café de loja de conveniência em mais isopor e os talheres são de plástico (não é possível encontrar nenhum daqueles garfos especiais e compridos que servem para extrair a carne da cauda, ainda que alguns clientes espertostragam os seus de casa). O número de guardanapos fornecido também não chega nem perto do suficiente, levando-se em consideração que comer lagosta é uma lambuzeira, especialmente quando se está espremido em bancos ao lado de crianças de idades variadas e estágios vastamente diversos de coordenação motora – isso sem mencionar as pessoas que de algum jeito conseguiram contrabandear sua própria cerveja em enormes isopores que bloqueiam a passagem, ou aquelas que aparecem de repente com toalhas de plástico que espalham sobre porções consideráveis das mesas numa tentativa de reservá-las (as mesas) aos seus grupinhos. E assim por diante.
Isolado, qualquer um desses exemplos naturalmente não passa de um incômodo trivial, mas o fato é que o FLM se mostra cheio desses pequenos aborrecimentos irritantes – por exemplo, quando você descobre que precisa pagar 20 dólares a mais por uma cadeira dobrável se quiser se sentar ao assistir a alguma das grandes atrações do Palco Principal; ou a loucura desenfreada que se instala na Tenda Norte quando começa a distribuição dos copinhos minúsculos, que mais parecem dedais, com bocadinhos das receitas finalistas da Competição de Culinária; ou a aclamadíssima final do concurso de beleza Deusa do Mar do Maine, que se revela excruciantemente longa e consiste sobretudo em infinitos agradecimentos e homenagens a patrocinadores locais. Melhor nem falar sobre a terrível inadequação dos banheiros químicos ou sobre o fato de não haver lugar algum para se lavar as mãos antes ou depois de comer.
Na verdade o Festival da Lagosta do Maine é uma feira interiorana de nível médio com gancho culinário, e a esse respeito não difere muito dos festivais de caranguejos de Tidewater, dos festivais de milho do Meio-Oeste, dos festivais de chili do Texas etc.,e compartilha com esses acontecimentoso paradoxo central de todos os apinhados eventos comerciais populares: não é para todos. Nada contra a eufórica editora sênior da Food & Wine, mas eu ficaria surpreso se descobrisse que ela realmente já esteve aqui no Harbor Park, entre multidões matando a tapa os mosquitos da zona do canal enquanto comem Twinkies fritose assistem ao professor Paddy-Whack aterrorizando as crianças sobre pernas de pau de 1,80 metro, vestido com um sobretudo de onde saltam em todas as direções lagostas de plástico dependuradas em molas.
Um parêntese: na verdade, muitas coisas podem ser ditas a respeito das diferenças entre a classe trabalhadora de Rockland e o sabor acentuadamente populista do festival versusa confortável e elitista Camden com sua paisagem caríssima, suas lojas tomadas inteiramente por suéteres de 200 dólares e fileiras de casas vitorianas transformadas em pousadas de luxo. E também a respeito dessas diferenças como os dois lados da grande moeda que é o turismo nos Estados Unidos. Confesso que nunca entendi por que a ideia de férias divertidas de tantas pessoas é calçar chinelos e óculos de sol e se arrastar por um tráfego enlouquecedor até locais turísticos quentes e lotados com o intuito de provar um “sabor local” que por definição é arruinado pela presença de turistas. Isso tudo pode ser uma questão de personalidade e gostos inatos: o fato de eu não gostar de locais turísticos significa que nunca vou compreender seu encanto, e assim provavelmente não sou a pessoa mais indicada para falar sobre isso (o suposto encanto). Do meu ponto de vista, é provável que ser turista faça mesmo algum bem para a alma, mesmo que apenas de vez em quando. Todavia, não que faça bem para a alma de algum modo revigorante ou alentador, mas de um jeito severo e obstinado de vamos-encarar-os-fatos-com-honestidade-e-tentar-encontrar-um-modo-de-lidar-com-eles. Minha experiência pessoal não é a de que viajar pelo país seja relaxante ou amplie os horizontes, ou de que mudanças radicais de lugar e contexto tenham um efeito salutar, mas sim de que o turismo intranacional é radicalmente constritivo e humilhante da pior forma – hostil à minha fantasia de ser um indivíduo genuí-no, de viver de algum modo fora e acima de todo o resto. Ser um turista massificado, para mim, é se tornar um puro americano contemporâneo: alheio, ignorante, ávido por algo que nunca poderá ter, frustrado de um modo que nunca poderá admitir. É macular, através de pura ontologia, a própria imaculabilidade que se foi experimentar. É se impor sobre lugares que, em todas as formas não econômicas, seriam melhores e mais verdadeiros sem a sua presença. É confrontar, em filas e engarrafamentos, transação após transação, uma dimensão de si mesmo tão inescapável quanto dolorosa: na condição de turista você se torna economicamente significativo mas existencialmente detestável. lagosta, em essência, é um alimento de verão. Isso porque agora preferimos lagostas frescas, o que significa que elas precisam ter sido capturadas recentemente, o que por razões tanto táticas quanto econômicas ocorre em profundidades inferiores a 45 metros. Lagostas tendem a ficar mais famintas e ativas (isto é, mais fáceis de capturar) quando a temperatura da água fica entre 7 e 10 graus, como é típico do verão. No outono a maioria das lagostas do Maine migra para águas mais profundas, seja em busca de calor ou para evitar as ondas pesadas que golpeiam o litoral da Nova Inglaterra durante o inverno inteiro. Algumas se enterram no leito marinho. Talvez hibernem; ninguém sabe ao certo. É também no verão que as lagostas trocam de carapaça – mais especificamente, do início à metade de julho.
Artrópodes quitinosos crescem trocando de carapaça, mais ou menos da mesma forma que compramos roupas maiores à medida que envelhecemos e ganhamos peso. Como as lagostas podem viver mais de 100 anos, podem também ficar bem grandes, chegando a passar dos 9 quilos – ainda que nos dias de hoje sejam raras as lagostas da terceira idade, pois as águas da Nova Inglaterra estão cheias de armadilhas. Enfim, disso vem a diferença culinária entre lagostas de casca dura e de casca mole.Uma lagosta de casca mole é uma lagosta que acabou de trocar de carapaça. Ambas são oferecidas nos cardápios de verão dos restaurantes da região costeira central, nos quais as lagostas de casca mole são um pouco mais baratas mesmo sendo mais fáceis de destrinchar e donas de uma carne considerada mais suave.O motivo do desconto é que uma lagosta em fase de troca utiliza uma camada de água do mar como isolamento enquanto a nova carapaça endurece, e por causa disso quando se arrebenta uma lagosta de casca mole há um pouquinho menos de carnee um fragrante jorro d’água que se espalha sobre tudo, às vezes espirrando como um limão e atingindo um companheiro de mesa bem no olho. Se é inverno ou se você está comprando lagostas em algum lugar distante da Nova Inglaterra, por outro lado, dá quase para apostar que a lagosta vai ter a casca dura, que por motivos óbvios é mais transportável.
Como prato principal à la carte, a lagosta pode ser assada, grelhada, cozida ao vapor, refogada, salteada,feita em wok ou no micro-ondas.Mas o método mais comum é a fervura. Quem gosta de comer lagostas em casa provavelmente a prepara desta forma, pois ferver lagostas é muito fácil. É necessário um tacho grande com tampa, que é preenchido com água até mais ou menos a metade (a recomendação mais comum são 2 litros e meio de água por lagosta). O ideal é água do mar, ou adicione duas colheres de sopa de sal a cada litro de água da torneira. Também é interessante saber o peso de cada lagosta. Espera-se a água ferver, coloca-se uma lagosta de cada vez, cobre-se o tacho e aumenta-se o fogo até a água voltar a ferver.Então é preciso baixar o fogo e deixar o tacho em fogo brando – dez minutos para o primeiro meio quilo de lagosta, e acima disso três minutos para cada meio quilo. (Isso considerando-se que estão sendo usadas lagostas de casca dura, que, repito, se você não mora entre Boston e Halifax, são provavelmente as únicas que conseguiu encontrar. No caso de lagostas de casca mole é preciso subtrair três minutos do total.) As lagostas ficamvermelhas porque de algum modo essa fervura suprime todos os pigmentos na quitina, exceto um. Um teste simples para saber se as lagostas estão prontas é tentar arrancar uma das antenas – se ela se descolar da cabeça ao menor esforço, o bicho está pronto para comer.
Um detalhe tão óbvio que a maioria das receitas nem se preocupa em mencionar é que as lagostas precisam estar vivas ao serem colocadas no tacho. Isso faz parte do apelo contemporâneo da lagosta – é o alimento mais fresco que existe. Não acontece decomposição alguma entre a pescaria e a hora de comer. E além de não precisarem ser limpas, temperadas nem depenadas, é simples para os vendedores manter as lagostas vivas. Chegam vivas dentro das armadilhas, são colocadas em recipientes com água do mar e podem (desde que a água seja mantida aerada e as garras dos animais estejam amarradas ou presas para impedir que ataquem uns aos outros por causa do estresse do confinamento) sobreviver até o instante em que são fervidas. Um raciocínio similar embasa o que se chama de “debicar” frangos e galinhas poedeiras nas fazendas de confinamento. A máxima eficiência comercial exige que populações imensas de galináceos sejam confinadas em espaços desnaturadamente exíguos, condições sob as quais muitas aves enlouquecem e bicam umas às outras até a morte. Como observação de caráter puramente empírico, informo que a “debicagem” costuma ser um processo automatizado e que as galinhas não recebem anestésico nenhum. Não sei se os leitores conhecem a “debicagem” ou as práticas relacionadas, como a extração dos chifres do gado em fazendas industriais e o corte da cauda dos porcos em fazendas de confinamento de suínos para impedir vizinhos psicoticamente entediados de arrancá-las com os dentes e assim por diante.uase todo mundo já esteve em supermercados ou restaurantes que contam com aquários de lagostas vivas, onde podemos escolher o jantar enquanto ele encara nosso dedo estendido. E uma parte importante do espetáculo no Festival da Lagosta do Maine é assistir às embarcações dos pescadores de lagostas atracando nos molhes da parte nordeste e descarregando o produto recém-pescado, que é então transferido manualmente ou com auxílio de carrinhos por cerca de 90 metros até os imensos tanques transparentes empilhados ao redor do panelão do festival – que, como mencionei, é divulgado como a Maior Panela para Lagostas do Mundo e pode cozinhar de uma só vez mais de 100 lagostas para a Tenda Principal.
Então aqui vai uma pergunta que se torna praticamente inevitável diante da Maior Panela para Lagostas do Mundo e pode vir à tona em cozinhas espalhadas por todos os Estados Unidos: é certo ferver viva uma criatura senciente para nosso mero prazer gustativo? Um conjunto de preocupações relacionadas: seria a perguntaanterior uma manifestação enfadonha de sentimentalismo ou raciocínio politicamente correto? Nesse contexto, qual seria o sentido de “certo”? Seria isso tudo apenas uma questão de escolha pessoal?
Como talvez você saiba, ou não, um grupo notório conhecido como People for the Ethical Treatment of Animals(Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais) acredita que a moralidade do ato de ferver lagostas não é apenas uma questão de consciência individual. Na verdade, uma das primeiríssimas coisas que escutamos sobre o FLM... bem, vamos definir a cena: estamos vindo de táxi do quase indescritivelmente estranho e rústico aeroporto do condado de Knox, na madrugada anterior à abertura do festival, dividindo o táxi com um consultor político endinheirado que passa metade do ano morando na ilha Vinalhaven, que fica na baía (seu destino é a balsa de Rockland).
O consultor e o motorista estão respondendo a sondagens jornalísticas informais sobre avisão real dos moradores da região sobre o FLM, se por exemplo consideram o festival apenas um evento para atrair turistas e lucrar bastante ou se é algo pelo qual os moradores do local esperam ansiosos, que genuinamente promove seu orgulho como cidadãos etc. O motorista (que passou dos 70 anos e parece fazer parte de um pelotão inteiro de aposentados contratado pela empresa de táxi para ajudar no burburinho do verão, usa um broche de lapela com a bandeira americana e dirige de um modo que pode somente ser descrito como muito cauteloso) nos garante que os moradores apoiam e apreciam o FLM, embora faça vários anos que ele mesmo não comparece ao evento e, parando para pensar, ninguém que ele ou a esposa conheçam. Todavia o consultor seminativo participou de alguns festivais recentes (tive a impressão de que fez isso por ordem da esposa), dos quais guardou como impressão mais vívida o fato de ser necessário “esperar na fila por um tempo interminável e lancinante até comprar as lagostas, e enquanto isso um monte de ex-malucos-beleza zanza para cima e para baixo distribuindo panfletos dizendo que as lagostas morrem sofrendo dores terríveis e que ninguém deveria comê-las”.
E calhou que os pós-hippies das reminiscências do consultor eram ativistas do Peta. Não havia ninguém do Peta à vista no FLM de 2003,[1] mas eles foram uma presença ostensiva em muitos dos festivais recentes. Desde a metade dos anos 90, pelo menos, artigos publicados em todo tipo de jornais, do Camden Herald ao New York Times, descreveram o Peta incitando boicotes ao Festival da Lagosta do Maine, muitas vezes empregando porta-vozes famosos como Mary Tyler Moore em cartas abertas e anúncios declarando coisas como “Lagostas são extraordinariamente sensíveis” e “Para mim, comer uma lagosta está fora de questão.” Mais concreto é o depoimento oral de Dick, nosso floreado e deveras sociável contato na locadora de automóveis, segundo o qual o Peta esteve tão presente nos últimos anos que os ativistas e os nativos do festival chegaram a uma espécie de homeostase de tolerância precária, por exemplo: “Tivemos alguns incidentes uns anos atrás. Uma mulher tirou quase toda a roupa, se pintou inteira de lagosta e quase acabou presa. Mas na maior parte do tempo eles são deixados em paz. [Uma sequência rápida de risadinhas ambíguas, algo que acontece bastante com Dick.] Eles fazem a parte deles e nós fazemos a nossa.”
Essa interlocução inteira ocorre na Rota 1, em 30 de julho, durante um trajeto de 6 quilômetros e cinquenta minutos do aeroporto até a locadora para assinar os documentos de aluguel do carro. Depois de vários desdobramentos irreproduzíveis das anedotas sobre o Peta, Dick (cujo genro é pescador de lagostas por ofício e um dos fornecedores da Praça de Alimentação Principal) expõe o que ele e sua família consideram o fator atenuante crucial em toda essa questão sobre a moralidade de ferver lagostas vivas: “No cérebro das pessoas e dos animais existe uma parte que nos faz sentir dor, e os cérebros das lagostas não têm essa parte.”
Sem entrar no mérito de essa tese estar incorreta por uns onze motivos diferentes, a declaração de Dick se torna interessante por ser mais ou menos ecoada pelo pronunciamento oficial do FLM sobre lagostas e dor, parte integrante de um teste chamado “Teste seu QI de lagosta” encartado no programa do festival de 2003 por cortesia do Conselho de Fomento à Lagosta do Maine: O sistema nervoso da lagosta é muito simples, e na verdade é muito semelhante ao sistema nervoso do gafanhoto. É descentralizado, sem um cérebro. Não há um córtex cerebral, que nos humanos é a área do cérebro que proporciona a experiência da dor.
Embora soe mais sofisticado, boa parte do embasamento neurológico desta afirmação ainda é falsa ou imprecisa. O córtexcerebral humano é a parte do cérebro que lida com as faculdades superiores, como a razão, a autoconsciência metafísica, a linguagem etc. Sabemos que os receptores da dor fazem parte de um sistema muito mais antigo e primitivo de nociceptores e prostaglandinas administrados pelo tronco encefálico e o tálamo. Por exemplo, a experiência corriqueira de encostar a mão sem querer em um forno quente e retirá-la bruscamente antes mesmo de notar que há algo de errado se explica pelo fato de muitos dos processos através dos quais detectamos e evitamos os estímulos dolorosos não envolverem o córtex. No caso da mão e do forno, o cérebro é totalmente contornado; toda a ação neuroquímica importante acontece na espinha dorsal.
Por outro lado, é verdade que o córtex cerebral está envolvido no que se costuma chamar de sofrimento, aflição ou experiência emocional da dor – isto é, experimentar estímulos dolorosos como desagradáveis, muito desagradáveis, intoleráveis e assim por diante.ntes de avançarmos, vamos reconhecer que as questões sobre se e como diferentes tipos de animais sentem dor, e de se e por que seria justificável lhes infligir dor para se alimentar deles, se mostram extremamente complexas e difíceis. E neuroanatomia comparada é apenas parte do problema. Como a dor é uma experiência mental totalmente subjetiva, não temos acesso direto à dor de ninguém ou de coisa alguma, somente à nossa; e até mesmo os princípios pelos quais podemos inferir que outros seres humanos experimentam a dor e têm um interesse legítimo em não sentir dor envolvem filosofia pura – metafísica, epistemologia, teoria dos valores, ética.
O fato de nem mesmo os mamíferos não humanos mais evoluídos serem capazes de usar linguagem para se comunicar conosco a respeito de sua experiência mental subjetiva é apenas a primeira camada da complicação adicional de tentar estender aos animais nossos raciocínios sobre dor e moralidade. E tudo fica cada vez mais abstrato e intrincado à medida que nos afastamos mais e mais dos ma-míferos superiores e passamos aos bovinos e suínos, aos cães e gatos e aos roedores, e então aos pássaros, aos peixes e por fim aos invertebrados, como as lagostas.
Todavia o mais importante aqui é que toda a questão da crueldade com os animais e da moralidade de comê-los não é apenas complexa, mas também desconfortável. Ou pelo menos é desconfortável para mim, e para praticamente todos os meus conhecidos que apreciam uma ampla gama de alimentos e ao mesmo tempo não querem se enxergar como cruéis ou insensíveis. Até onde percebo, minha principal maneira de lidar com esse conflito tem sido evitar pensar sobre esse assunto tão desagradável. Devo admitir que também me parece improvável que muitos leitores de Gourmet queiram pensar sobre isso ou ser questionados a respeito da moralidade dos seus hábitos alimentares por uma revista mensal de gastronomia. Porém, como a pauta definida para este artigo é descrever como foi participar do FLM de 2003, e por causa disso passar vários dias em meio a uma grande massa de americanos comendo lagostas, e consequentemente ser mais ou menos impelido a pensar a fundo sobre lagostas e sobre a experiência de comprar e comer lagostas, calha que não existe uma maneira honesta de evitar certas questões morais.
Há vários motivos para isso. Para começar, não existe só o problema de que as lagostas são fervidas vivas, mas também o de que quem faz isso é você – ou pelo menos isso é feito especificamente para você, in loco. Em termos de moralidade, é preciso admitir que isso é uma faca de dois gumes. Pelo menos comer lagostas não torna ninguém cúmplice do sistema corporativo de fazendas de confinamento que produz a maior parte da carne de boi, porco e frango. Por causa, no mínimo, do modo como são comercializadas e embaladas, comemos essas carnes sem ter de pensar que um dia já foram criaturas sencientes e dotadas de consciência às quais foram feitas coisas horríveis.
Conforme mencionado, a Maior Panela para Lagostas do Mundo, que é destacada como uma atração no programa do festival, fica bem à vista de todos na área norte do FLM. Tente imaginar um Festival da Carne do Nebraska cujas festividades incluíssem caminhões estacionando e gado sendo descarregado por uma rampa para em seguida ser abatido diante do público no Maior Matadouro do Mundo ou coisa parecida – seria impossível. intimidade da coisa toda é maximizada em casa, onde naturalmente a maioria das lagostas é preparada e comida (percebam, contudo, o eufemismo semiconsciente “preparada”, que no caso das lagostas significa na verdade matá-las bem no meio das nossas cozinhas). No cenário habitual, o sujeito chega em casa com as lagostas e toma pequenas providências como encher o tacho de água e pôr para ferver, em seguida retira as lagostas da sacola ou qualquer que seja o recipiente em que tenham sido trazidas... e então coisas desconfortáveis começam a acontecer. Por mais estuporada que esteja depois do trajeto, por exemplo, a lagosta costuma voltar à vida de forma alarmante ao ser colocada na água fervente. Quando é despejada do recipiente para dentro do tacho fumegante, às vezes a lagosta tenta se segurar nas bordas do recipiente ou até mesmo enganchar as garras na beira do tacho como uma pessoa dependurada de um telhado, tentando não cair. Pior ainda é quando a lagosta fica imersa por completo. Mesmo que o sujeito tampe o tacho e saia de perto, normalmente é possível ouvir a tampa chacoalhando e rangendo enquanto a lagosta tenta empurrá-la. Ou escutar as garras da criatura raspando o interior do tacho enquanto se debate. Em outras palavras, a lagosta apresenta um comportamento muito parecido com o que eu ou você apresentaríamos se fôssemos atirados em água fervente (com a óbvia exceção dos gritos). Para falar de modo ainda mais direto, a lagosta age como se sentisse dores terríveis, fazendo com que algumas pessoas abandonem a cozinha levando consigo um daqueles cronômetros de plástico para esperar em outro cômodo até o processo inteiro chegar ao fim.
Há um mito populista relevante acerca do apito agudo que por vezes escapa de uma panela onde se fervem lagostas. O som é causado pelo vapor expelido pela camada de água marinha entre a carne da lagosta e sua carapaça (é por isso que as lagostas de casca mole apitam mais que as de casca dura), mas a versão pop afirma que esse som, semelhante aos guinchos de um coelho, é o grito de morte da lagosta. As lagostas se comunicam através de feromônios na urina e não possuem nada remotamente parecido com o equipamento vocal necessário para gritar, mas o mito é bastante persistente – o que pode, mais uma vez, apontar para um desconforto baixo cultural a respeito dessa história de ferver lagostas. maioria dos eticistas concorda que existem dois critérios principais para determinar se uma criatura viva possui a capacidade de sofrer e, assim, possui interesses genuínos que podemos ou não ter o dever moral de levar em conta.[2] Um deles se relaciona ao hardwareneurológico requerido para a experiência da dor com que o animal vem equipado – nociceptores, prostaglandinas, neurorreceptores de opioides etc. O outro critério é se o animal demonstra algum comportamento associado à dor. E é necessária uma boa dose de ginástica intelectual e detalhismo behaviorista para não ver as ações de lutar, se debater e fazer tilintar tampas de panela como comportamentos associados à dor. Segundo os zoólogos marinhos, em geral uma lagosta leva de 35 a 45 segundos para morrer dentro da água fervente. (Não consegui encontrar nenhuma fonte que mencione o tempo necessário pa-ra que morram em vapor superaquecido; espera-se que seja mais rápido.)
Existem, é claro, outras maneiras de matar sua lagosta in loco e assim obter o máximo de frescor. Alguns cozinheiros têm como hábito espetar a ponta de uma faca afiada e pesada em um ponto logo acima da metade da distância entre os olhos pedunculares da lagosta (mais ou menos onde o Terceiro Olho se localiza nas frontes humanas). A alegação é que isso ou mata a lagosta instantaneamente ou a torna insensível, e dizem que elimina ao menos parte da covardia envolvida no ato de jogar uma criatura em água fervente e em seguida abandonar o recinto.
Até onde pude deduzir conversando com defensores do método da facada na cabeça, o raciocínio é que ele é mais violento, todavia no fim das contas é mais misericordioso, além de que a disposição de exercer agência pessoal e aceitar a responsabilidade de apunhalar a cabeça da lagosta de algum modo honra o animal e autoriza alguém a comê-lo (os argumentos pró-facada muitas vezes têm um sabor vago de “espiritualidade da caça” do nativo americano). Mas o problema do método da facada é biologia básica: os sistemas nervosos das lagostas não operam a partir de um, mas de diversos gânglios conhecidos como feixes de nervos, meio que conectados em série e distribuídos por toda a parte de baixo do corpo do animal, da proa à popa. E incapacitar somente o gânglio frontal não costuma resultar em morte rápida ou perda de consciência.
Outra alternativa é colocar a lagosta em água salgada fria e em seguida ferver lentamente. Cozinheiros que defendem este método recorrem à analogia da rã, que supostamente pode ser impedida de saltar de uma panela fervente se a água for esquentada aos poucos. Para poupar a todos de um resumo das minhas pesquisas, vou simplesmente garantir que a analogia entre rãs e lagostas não se sustenta – e digo mais, se a água na panela não for água marinha e aerada, a lagosta nela imersa é submetida a uma lenta sufocação, embora esta não seja severa o suficiente para impedir que ela se debata e faça barulho quando a água ficar quente o bastante para matá-la. Na realidade, lagostas fervidas aos poucos muitas vezes demonstram todo um conjunto adicional de reações pavorosas e convulsivas que normalmente não são registradas na fervura comum.
Em última análise, as únicas virtudes confirmadas dos métodos de lobotomia caseira e fervura lenta são comparativas, pois há quem prepare lagostas de formas ainda piores, mais cruéis. Cozinheiros interessados em poupar tempo às vezes colocam as lagostas vivas no micro-ondas (geralmente após fazer várias perfurações na carapaça, uma precaução cuja utilidade muitos adeptos do micro-ondas aprendem na prática). Esquartejar a lagosta viva, por outro lado, faz sucesso na Europa – alguns chefs dividem a lagosta ao meio antes de cozinhar; outros gostam de arrancar as patas e a cauda e atirar somente essas partes dentro da panela. há outras más notícias relacionadas ao critério de sofrimento número 1. Ainda que não se destaquem pela visão ou pela audição, as lagostas possuem um tato muito refinado, auxiliado por centenas de milhares de pelos minúsculos que se projetam através da carapaça. “E é por isso”, nas palavras de T. M. Prud-den no clássico do ramo, About Lobsters, “que embora envolta pelo que parece uma armadura sólida e impenetrável, a lagosta é capaz de receber estímulos e sensações do mundo exterior tão prontamente quanto se possuísse uma pele macia e delicada.” E as lagostas possuem nociceptores,[3] bem como versões invertebradas de prostaglandinas e neurotransmissores importantes através dos quais nossos próprios cérebros registram a dor.
Por outro lado, as lagostas não parecem contar com o equipamento necessário para produzir ou absorver opioides naturais como as endorfinas ou as encefalinas, utilizados pelos sistemas nervosos mais avançados para tentar lidar com a dor intensa. A partir desse fato, porém, pode-se concluir que as lagostas talvez sejam ainda mais vulneráveis à dor, pois não contam com a analgesia embutida nos sistemas nervosos dos mamíferos. Ou, em vez disso, concluir que a ausência de opioides naturais implica a ausência das sensações de dor realmente intensas que essas substâncias são destinadas a aliviar. Eu particularmente detecto uma melhora sensível no meu humor ao contemplar esta última possibilidade. É possível que a ausência de hardwarepara endorfinas/encefalinas signifique que para as lagostas a experiência crua e subjetiva da dor seja tão radicalmente diferente da experiência dos mamíferos que pode nem mesmo ser merecedora do termo “dor”. Talvez as lagostas tenham mais em comum com aqueles pacientes de lobotomia frontal sobre quem a gente às vezes lê, que relatam experimentar a dor de uma maneira totalmente diferente de você e eu. É evidente que esses pacientes sentem dor física, neurologicamente falando, mas não desgostam dela – embora também não cheguem a gostar; é como se eles sentissem dor, mas não sentissem nada a respeito dela – ou seja, a dor não lhes aflige nem é algo que desejem evitar.
Talvez as lagostas, que também não possuem lobos frontais, sejam da mesma forma indiferentes ao registro neurológico de ferimento ou perigo que chamamos de dor. Existe, afinal de contas, uma diferença entre: (1) a dor como um evento puramente neurológico e (2) o sofrimento genuíno, onde parece crucial o envolvimento de um componente emocional, uma consciência da dor como uma experiência desagradável, algo a se temer/desgostar/querer evitar.
Ainda assim, após toda a abstração intelectual, restam os fatos da tampa batendo freneticamente, das patas enganchadas de forma patética na beira da panela. Diante do fogão é difícil negar de qualquer modo que aquilo seja uma criatura viva sentindo dor e tentando evitar/escapar dessa experiência dolorosa. Para minha mente leiga, o comportamento da lagosta no tacho parece ser uma expressão de preferência; e é bem possível que uma habilidade para formar preferências seja o critério decisivo para o sofrimento real. Em linhas gerais “preferência” talvez seja um sinônimo de “interesses”, mas é um termo melhor para nossos fins por ser menos abstratamente filosófico – “preferência” parece mais pessoal, e o que está em questão é justamente toda a ideia da experiência pessoal de uma criatura viva.
A lógica desta relação (preferência → sofrimento) pode ser mais facilmente compreensível no caso negativo. Se cortarmos ao meio certos tipos de vermes, muitas vezes as metades seguirão rastejando por aí e cuidando dos seus assuntos vermiformes como se nada tivesse acontecido. Quando, tomando como base seu comportamento pós-operatório, afirmamos que esses vermes não parecem estar sofrendo, estamos na verdade dizendo que não existe indício algum de que os vermes saibam que algo de ruim aconteceu ou que prefeririam não ser divididos ao meio.
As lagostas, porém, manifestam preferências. Experimentos demonstraram que elas são capazes de detectar mudanças de apenas 1 ou 2 graus na temperatura da água; um dos motivos para seus complexos ciclos migratórios (que muitas vezes abarcam mais de 180 quilômetros por ano) é a busca por temperaturas que consideram mais agradáveis. E, como já foi mencionado, as lagostas vivem no leito marinho e não gostam de claridade – se um aquário cheio de lagostas for colocado à luz do sol ou mesmo sob a luz fluorescente de uma loja, elas vão sempre se aglomerar na parte mais escura. Por serem bastante solitárias no oceano, as lagostas também claramente desgostam do amontoamento que é parte indissociável do seu cativeiro em aquários, pois (como também já foi mencionado) um dos motivos pelos quais se amarram as garras das lagostas assim que elas são capturadas é evitar que elas ataquem umas às outras por causa do estresse do armazenamento em espaços exíguos.e qualquer modo, no FML, diante dos aquários borbulhantes em frente à Maior Panela para Lagostas do Mundo, observando as lagostas recém-pescadas se amontoando umas sobre as outras, sacudindo impotentes as garras amarradas, se escondendo nos cantos mais escuros ou se afastando inquietas do vidro quando alguém se aproxima, é difícil não sentir que estão infelizes, ou assustadas, mesmo que seja alguma forma rudimentar dessas emoções... e, a propósito, por que a rudimentariedade tem que ser incluída na questão? Por que uma forma primitiva e inarticulada de sofrimento seria menos urgente ou desconfortável para a pessoa que está colaborando com ela ao pagar pelo alimento resultante desse sofrimento? Não estou tentando passar um sermão ao estilo do Peta – ou pelo menos acho que não. Em vezdisso, estou tentando compreender e articular alguns dos questionamentos perturbadores que vêm à tona em meio às risadas, à animação e ao orgulho comunitário do Festival da Lagosta do Maine. A verdade é que, se comparecendo ao festival o sujeito se permitir cogitar que as lagostas podem sofrer e que prefeririam que isso não acontecesse, o flm começa a ficar parecido com um circo romano ou um festival de torturas medievais.
Parece uma comparação exagerada? Se for o caso, exatamente por quê? Ou que tal esta: é possível que as gerações futuras considerem as práticas de agronegócio e alimentares contemporâneas da mesma maneira como hoje enxergamos os espetáculos de Nero ou os experimentos de Mengele? Minha própria reação inicial é achar tais comparações histéricas e extremadas – todavia, o motivo pelo qual me parecem extremadas é que eu creio que os animais são moralmente menos importantes que os seres humanos;[4] e quando se trata de defender essa crença, ainda que para mim mesmo, preciso reconhecer que: (a) tenho um óbvio interesse egoísta nessa crença, pois gosto de comer certos tipos de animais e quero ser capaz de continuar fazendo isso, e (b) não consegui elaborar nenhum tipo de sistema ético pessoal dentro do qual essa crença se torne verdadeiramente justificável em vez de ser apenas uma conveniência egoísta.evando em conta o lugar onde este artigo será publicado e minha própria falta de sofisticação culinária, tenho curiosidade de saber se o leitor se identifica com quaisquer dessas reações, confissões e desconfortos. Também não quero soar excessivo ou moralista, quando na verdade o que sinto é confusão. Perguntas aos leitores de Gourmet que apreciam refeições bem-feitas e bem-apresentadas envolvendo carne de vaca, vitela, cordeiro, porco, frango, lagosta etc.: Vocês pensam muito sobre a (possível) condição moral e o (provável) sofrimento dos animais envolvidos? Se pensam, quais convicções éticas desenvolveram para se permitir não apenas comer, mas também saborear e desfrutar de iguarias à base de carnes de animais (pois o desfrute refinado, em contraste com a mera ingestão, é naturalmente a razão de ser da gastronomia)? Se, por outro lado, vocês não dão a menor bola para confusões ou convicções e acham coisas como o parágrafo anterior puro umbiguismo sem sentido, o que em seu íntimo faz vocês sentirem que não existe realmente problema algum em desconsiderar de forma peremptória toda essa questão? Isto é, a recusa em pensar nessas coisas seria o produto de um raciocínio ou na verdade vocês apenas não querem pensar sobre o assunto? E se for isso mesmo, por que não? Vocês chegam a pensar, mesmo à toa, sobre as possíveis razões dessa relutância em pensar no assunto? Não estou tentando importunar ninguém – minha curiosidade é genuína. Afinal de contas, ser muito consciente, atencioso e cuidadoso a respeito do que se come e de todo o contexto englobante não é parte do que distingue um verdadeiro gourmet? Ou toda a atenção e a sensibilidade extraordinárias do gourmetdevem se limitar ao sensorial? Tudo poderia realmente ser resumido a uma questão de sabor e apresentação?
Estas últimas indagações, todavia, ainda que sinceras, obviamente envolvem questões muito maiores e mais abstratas a respeito das conexões (caso existentes) entre estética e moralidade – sobre o que realmente significa o adjetivo em uma expressão como “A Revista da Boa Vida” –, e essas questões levam diretamente a águas tão profundas e traiçoeiras que talvez seja melhor encerrar por aqui a discussão pública. Existem limites mesmo para o que as pessoas interessadas podem perguntar umas às outras. J


[1]No fim das contas se descobriu que um tal sr. William R. Rivas-Rivas, membro de alto escalão do quartel-general do Peta na Virginia, estava no festival este ano, ainda que sozinho, cuidando das entradas principal e lateral no sábado, dia 2 de agosto, distribuindo panfletos e adesivos com a inscrição “Ser Fervido Dói”.
[2]“Interesses” significa basicamente preferências fortes e legítimas, que obviamente exigem algum grau de consciência, reatividade a estímulos etc. Veja, por exemplo, o que diz o filósofo utilitarista Peter Singer, cujo livro Libertação Animal, de 1975, é a bíblia do movimento contemporâneo de direitos dos animais: Seria tolice dizer que não está nos interesses de uma pedra ser chutada por um garoto ao longo de uma estrada. Uma pedra não tem interesses, pois não pode sofrer. Nada que possamos fazer com ela representaria qualquer diferença em seu bem-estar. Um rato, por outro lado, tem interesse em não ser chutado ao longo da estrada, pois sofrerá se isso vier a acontecer.
[3]Este é o termo neurológico para receptores sensoriais específicos, “sensíveis a extremos de temperatura potencialmente nocivos, a forças mecânicas e a substâncias químicas liberadas quando os tecidos do corpo sofrem danos”.
[4]Significando bem menos importantes, ao que parece, posto que a comparação moral em jogo não é o valor de uma vida humana versus o valor de uma vida animal, mas sim o valor de uma vida animal versus o valor do gosto humano por um tipo específico de proteína. Até mesmo o “carnófilo” mais teimoso reconheceria que é possível viver e comer bem sem consumir animais.

Fonte
www.mainelobsterfestival.com