domingo, 27 de março de 2016

Os Alimentos germinados – o que são e quais as vantagens


Se pretender aumentar a sua ingestão de nutrientes através de alimentos facilmente digeríveis, está na altura de conhecer os alimentos germinados.

Considerados alimentos "vivos”, os alimentos germinados são de fácil digestão e são verdadeiras concentrações de nutrientes e enzimas, possuindo mais nutrientes que o alimento original e de uma forma bem mais digerível.

O que são alimentos germinados?

Os alimentos germinados, ou rebentos, são os grãos, as sementes e as leguminosas que deram inicio ao processo de criação de uma nova planta.

Os grãos e as sementes de uma determinada planta são verdadeiras concentrações de nutrientes, e de certa forma "adormecidas” e à espera das condições ideais para se desenvolverem.

Quando lhes damos a água, o oxigénio e uma determinada temperatura, este alimento dá inicio a diferentes processos bioquímicos que tem como finalidade a criação de uma nova planta.


Quais as vantagens?

Ao dar início ao processo de germinação, a semente produz diferentes compostos e altera a estrutura dos seus constituintes que terão como objetivo criar e alimentar a nova planta.

O alimento germinado será assim de mais fácil digestão, muito mais rico do ponto de vista nutricional, e terá menos factores antinutricionais (compostos que impedem a absorção de alguns nutrientes), aumentando desta forma o seu valor nutricional.

Quais os alimentos que podem ser germinados?

Os alimentos a germinar são normalmente grãos de cereais, leguminosas ou sementes, e cada um destes vai ter diferentes tempos de germinação, assim como diferentes sabores.

Pode germinar cereais como o trigo, o trigo espelta, a cevada, o arroz, o trigo sarraceno, ou mesmo o centeio. A partir destes grãos germinados pode ainda fazer o pão dos essénios.

Esta germinação pode terminar quando a planta começa a crescer e tiver pelo menos, o tamanho da sementes ou do grão que a originou, ou continuar até a planta crescer um pouco mais e usá-las em smoothies ou sumos (saiba mais), com é o caso da erva trigo.

Podemos ainda germinar leguminosas como a alfafa, soja, feijão mungo, grão, ou lentilhas, e podem ser consumidos em saladas ou outros pratos frios. Os exemplos mais conhecidos são os rebentos de soja ou de alfafa, já há venda em diferentes locais.

Pode ainda germinar oleaginosas como nozes, amêndoas, avelãs ou sementes de girassol ou de abóbora: o valor nutricional da sementes aumenta consideravelmente, além de se tornar bem mais digerível.

Aprenda a germinar alimentos em casa

Os alimentos germinados são extremamente ricos do ponto de vista nutricional e tem uma excelente digestibilidade.

Poderá comprá-los já germinados, ou germiná-los em casa recorrendo a um germinador ou de forma mais manual. Vamos saber como?

1ª passo: Escolha do alimento a germinar

No momento da seleção, prefira alimentos integrais, relativamente frescos e de preferência de agricultura biológica. Elimine os grãos partidos, ou com aspeto mais deteriorado, assim como as sujidades e cascas que possam estar presentes.

2º passo: Lavagem e demolha

Lave muito bem os grãos e coloque-os dentro de uma vasilha com água (de preferência mineral) cobrindo-os na totalidade. Deverá deixá-los assim durante algum tempo, que varia com o tipo de grão ou semente que pretende germinar. Por exemplo:

- trigo sarraceno: 15 – 20 min
- amaranto, quinoa: 2 – 4 h
- alfafa: 4 – 6h
- cevada, millet, aveia, trigo, centeio, milho, lentilhas, feijão frade: 8 – 14h
- amêndoa: 10 – 14h
 - sementes de sésamo, de abóbora ou de girassol, feijão mungo: 8 – 14h
- arroz, grão de bico: 12 – 18h

Ao demolhar está a dar inicio a diferentes processos bioquímicos que vão dar origem à germinação. Ao fim deste tempo elimine a água, e lave-os muito bem.

Poderá já consumir alguns destes alimentos, como é o caso das oleaginosas e sementes, ou ter ainda que os cozinhar, como é o caso de leguminosas como o feijão, o grão ou as lentilhas (este passo é mesmo essencial para que estes alimentos sejam consumidos, pois sem serem demolhados são indigeríveis pelo ser humano).

 3º passo: Germinação

O objetivo é manter as sementes húmidas (mas não com água) durante algum tempo (horas ou dias) até que comece a brotar a planta. Depois mantenha o processo até que a planta adquira o tamanho que pretende. Para este processo pode usar um germinador, onde coloca as sementes sobre redes (que vão permitir que a água em excesso escorra), e onde vão ser pulverizadas com água para que se mantenham húmidas. Esse germinador pode ser elétrico (como este da imagem) onde a água circula automaticamente ou manual onde temos de ser nós a fazê-lo.


Caso não esteja interessado em adquirir um equipamento destes, pode germinar usando frascos de vidro de boca larga. Para isso, coloque as sementes no frasco e tape com um pano, prendendo-o com elásticos em volta (para fazer uma tampa). Vire o recipiente ao contrário para água escorrer totalmente, proteja-o da luz, guardando-o num local mais escuro e com uma temperatura a rondar os 20ºC – 25ºC. Molhe as sementes cerca de 2 vezes por dia (agitando o frasco para que todas as sementes fiquem molhadas), escorrendo sempre e não deixando ficar depósitos de água.

Dependendo do tipo de cereal ou semente, bastarão alguns dias para que os possa consumir, que será quando o broto tiver pelo menos o tamanho da semente, que varia entre:
 - 12h: quinoa
- 1 dia: amêndoa, sementes de girassol, de abóbora ou de sésamo, feijão mungo, lentilhas, grão de bico
 - 1 – 2 dias: feijão frade, amaranto, trigo sarraceno, arroz, cevada, trigo, lentilhas, centeio
- 2 dias: aveia, millet
- 6 – 8 dias no caso da alfafa

Este tempo varia ainda com a temperatura e a altura pretendida para o alimento germinado.

4º passo: Consumir!

Quando estiverem prontos, basta lavar os seus alimentos germinados e poderá usa-los em sumos, smoothies e saladas. Pode conservá-los no frigorifico no máximo uma semana. Bom apetite!

EsmeraldAzul

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